Violência compromete comparecimento eleitoral no Afeganistão

Presidente Hamid Karzai confirma 73 ataques em 15 províncias; ausência de eleitores foi maior no sul do país

20 de agosto de 2009 | 09h57

 

Afegãs começam contagem dos votos. Foto: Reuters  

 

CABUL - Desafiando as ameaças do Taleban e o lançamento de foguetes, os eleitores afegãos foram às urnas nesta quinta-feira, 20, numa eleição que se transformou num sinal crítico dos progressos do país tanto para a administração afegã quando para o governo Obama. A presença, segundo os relatos iniciais, foi baixa, apesar de as autoridades locais terem prorrogado em uma hora o pleito, justamente com a intenção de atrair mais eleitores. Relatos sugerem que o comparecimento foi irregular, com maior participação no norte do que no sul do país, onde está a base de apoio do presidente Hamid Karzai. Segundo ele, pelo menos 73 ataques foram registrados em 15 províncias do país. Uma fonte consultada pela Associated Press disse que entre 40% e 50% dos 15 milhões de eleitores votaram - número bem abaixo dos 70% que participaram em 2004.

 

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A ausência do eleitorado no sul pode afetar as chances de reeleição do presidente Hamid Karzai e favorecer seu principal adversário, o ex-ministro de Relações Exteriores Abdullah Abdullah. No sul do país, testemunhas afirmaram ao The New York Times que insurgentes bloquearam estradas para impedir o trânsito de eleitores. Na cidade de Kandahar, os militantes enforcaram duas pessoas que tinham os dedos com tinta - sinal de que tinham votado. Autoridades informaram que ataques pelo país deixaram 26 mortos, segundo um balanço inicial. Entre as vítimas havia nove civis afegãos, nove policiais e oito soldados afegãos.

 

Militantes realizaram ataques menores por todo o país. Foguetes foram lançados no sul, ao mesmo tempo em que a polícia confrontou militantes no norte. A polícia na capital Cabul matou duas pessoas, aparentemente extremistas suicidas. Os militantes ameaçaram atacar os centros de votação e também os cidadãos que participassem.

 

Na província de Wardak, no sul do país, eram vistos mais oficiais de segurança do que eleitores nos colégios eleitorais depois do lançamento de seis foguetes, lançados pouco antes da abertura das urnas, e outros três lançados durante a votação. Em Cabul, Zahir Azimi, porta-voz do Ministério da Defesa afegão, disse na TV que o processo eleitoral foi melhor do que o esperado. Segundo ele, na província de Paktia, dois supostos homens-bomba foram mortos a tiros antes de atacar. Cerca de 300 mil soldados afegãos e da Otan são responsáveis pela segurança do pleito.

 

O mais grave atentado ocorreu no distrito de Jadeed, situado na província de Baghlan, onde um grupo de insurgentes atacou um posto das forças de segurança, matando um chefe policial e deixando outros dois agentes feridos. O porta-voz da polícia provincial, Mohamed Kabir Andarabi, explicou que as forças afegãs responderam ao ataque e mataram 22 supostos taleban.

 

Também no norte, em Kunduz, capital da província homônima, dois mísseis caíram perto de um colégio eleitoral, mas não deixou vítimas. A explosão de uma bomba destruiu também um quartel policial na vizinha província de Takhar, onde dois supostos terroristas suicidas que tentaram invadir um colégio eleitoral foram detidos, segundo fontes policiais.

 

O Taleban anunciou ter infiltrado 20 extremistas suicidas em Cabul e a polícia acredita que 26 homens-bomba teriam entrado na capital. Carros passavam nas ruas tocando músicas patrióticas e encorajando as pessoas a comparecer às urnas, disse ele. Cerca de 17 milhões de afegãos estão registrados para votar.

 

Um porta-voz da Casa Branca afirmou, nesta quinta-feira, que o resultado não alterará a política dos Estados Unidos para o país. O funcionário disse que "muitas pessoas" foram às urnas, apesar das "ameaças de violência e terror" dos extremistas.

 

Reeleição de Karzai

 

A grande questão da disputa, segundo diplomatas e analistas, é se Karzai conseguirá mais de 50% dos votos para garantir a vitória no primeiro turno ou disputará o segundo turno, hipótese mais previsível segundo apontaram as últimas pesquisas de intenção de voto. As pesquisas indicam que Hamid Karzai é o favorito, com 45% das intenções de votos. O segundo colocado nas pesquisas, o ex-ministro do Exterior Abdullah Abdullah tem 25% das preferências. O governo temia que a violência afastasse os eleitores dos postos de votação e, ao votar, o presidente, Hamid Karzai, pediu para que todos os eleitores afegãos comparecessem às urnas "pela paz, pelo progresso e pelo bem-estar do país".

 

A estimativa é que a contagem dos votos, iniciada logo após o fechamento das urnas em todo o país, deva durar cerca de duas ou três semanas e esteja completa até o dia 2 de setembro. Porém, os primeiros dados oficiais devem ser divulgados neste sábado. Durante esse período, a Comissão Eleitoral irá atender às reclamações entregues sobre o andamento do processo eleitoral. Os resultados preliminares da eleição presidencial podem ser anunciados, dependendo da sentença sobre as reclamações, entre os dias 3 e 16 de setembro. Os resultados finais serão anunciados no dia 17 de setembro. Caso seja necessário um segundo turno para a eleição presidencial, o anúncio deve ser feito no mesmo dia.

 

 

 

 

Texto atualizado às 12h para acréscimo de informações.

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