Violência continua em El Salvador 15 anos após guerra civil

A violência continua presente em El Salvador, que tem um dos índices de homicídios mais altos da América Latina, quinze anos depois do acordo de paz entre o governo e a guerrilha, que procurava acabar com doze anos de guerra civil. Um porta-voz da Defesa Civil informou nesta segunda-feira, dia 1º, à Efe que entre as 7h e às 19h de 31 de dezembro (11h e 23h de Brasília) foram registradas 27 mortes, 18 delas por armas de fogo. Em 24 de dezembro, 18 pessoas morreram, 7 por armas de fogo e 6 por armas cortantes. Dados policiais preliminares revelam que entre janeiro e meados de dezembro de 2006 foram registrados cerca de 3.600 assassinatos, com o qual a média de pelo menos 10 por dia se mantém desde 2004. A população de El Salvador é de 6,7 milhões. A Assembléia Legislativa aprovou que 2007 será o "Ano Nacional da Paz" e o presidente salvadorenho, Elías Antonio Saca, reiterou no domingo, 31, que isto será possível com a colaboração de todos e com a ampliação de programas de prevenção da violência. Anunciou maiores esforços para a reabilitação de delinqüentes, além de maiores penas e o aumento de agentes e do orçamento para a polícia.Planos As autoridades defendem os planos policiais contra os grupos criminosos, aos que atribuem a metade dos homicídios, mas organismos humanitários asseguram que tais planos têm agravado o problema, já que estes grupos - com cerca de 10 mil membros - se organizaram melhor. O bispo auxiliar de San Salvador, Gregorio Rosa Chávez, declarou no domingo último que diante de 2007 "sentimos que o povo está com as asas cortadas, que o povo está com os ânimos embaixo dos sapatos". Afirmou que muitos, desesperados, optam por emigrar e "eu acho que devemos optar por mudar o país. Isto significa tocar temas tão sensíveis como o modelo econômico, a democracia participativa, a credibilidade dos líderes políticos e políticas sociais corajosas". Rosa Chávez assinalou que só a aplicação da proposta da Comissão de Segurança Cidadã e Paz Social, integrada por diversos setores, para que se chegue pouco a pouco ao desarmamento da população civil, seria uma medida eficaz para reduzir a violência. Segundo diversas fontes, existem cerca de meio milhão de armas nas mãos de civis. Saca garantiu grandes conquistas no país desde a assinatura dos Acordos de Paz entre o Governo e a então guerrilha da Frente Farabundo Martí para a Libertação Nacional (FMLN), em 16 de janeiro de 1992. Acrescentou que 2006 "entrará para a história como o ano no qual a agricultura e as exportações dispararam e no qual o ciclo de baixo crescimento de dez anos foi quebrado". A guerra civil em El Salvador causou 75 mil mortes, 8 mil pessoas estão desaparecidas, 12 mil deficientes e meio milhão deslocados, segundo organismos humanitários. Por Cristina Hasbún

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