Violência continua na República Centro Africana

Um grupo armado atirou contra policiais que monitoram protestos perto do aeroporto de Bangui, capital na República Centro Africana, nesta sexta-feira. O episódio deixou seis pessoas feridas, informou a força de paz da Organização das Nações Unidas (ONU).

MARCELLA FERNANDES, COM INFORMAÇÕES DA ASSOCIATED PRESS, Estadão Conteúdo

10 de outubro de 2014 | 21h13

Cerca de 300 jovens não armados ocuparam a pista do aeroporto em Bagui pedindo a renúncia da presidente do governo de transição, Catherine Samba-Panza, de acordo com um oficial da ONU, que falou na condição de anonimato.

Na quinta-feira, um ataque a um comboio da ONU em Bangui matou um agente paquistanês da força de paz da ONU. Foi a primeira morte de um enviado de paz desde que a missão das Nações Unidas chegou ao país para tentar acalmar meses de violência sem precedência entre cristãos e muçulmanos. Outro agente da força de paz foi ferido e diversas pessoas tiveram ferimentos leves no ataque, todas do Paquistão ou de Bangladesh.

Nesta sexta-feira o Conselho de Segurança da ONU condenou os ataques no país e disse que tais ações podem ser consideradas crimes de guerra. Em uma declaração, o chefe da missão local, Babacar Gaye, classificou o episódio como "inaceitável" e pediu que seja feita justiça.

O Conselho pediu que autoridades da República Centro Africana condenem o ataque e iniciem uma investigação, com auxílio da missão da ONU. O órgão reiterou o apoio à presidente e às autoridades de transição e seu pedido de implementar o acordo de cessar-fogo proposto em 23 de julho. Eles afirmaram que um diálogo inclusivo entres toda as partes é o único caminho para uma reconciliação e para paz duradoura.

O Conselho de Segurança da ONU autorizou em abril que cerca de 12.000 agentes de forças de paz fossem enviados à República Centro Africana, porém apenas 7.500 soldados foram para o país no início da missão, em 15 de setembro.

Pelo menos 5.000 pessoas morreram no conflito que dura meses no país. A coalizão rebelde muçulmana Seleka derrubou o presidente François Bozizé em 2013, colocando Michel Djotodia, chefe do grupo, no lugar. Diversos abusos de direitos humanos e níveis de violência crescentes na capital em dezembro de 2013 levara à renúncia de Djotodia. O país é atualmente comandado pela presidente de transição, Catherine Samba-Panza.

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