Muzaffar Salman/AP
Muzaffar Salman/AP

Violência continua na Síria apesar de pressão da ONU

Fontes da oposição disseram que tanques do governo bombardearam um bairro grande de Hama

REUTERS

22 Março 2012 | 08h46

DAMASCO - Confrontos ocorreram em várias partes da Síria nesta quinta-feira, 22, disseram ativistas da oposição, um dia depois de o Conselho de Segurança da ONU convocar todos os lados a interromper os combates e negociar uma solução para a rebelião iniciada há um ano.

 

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O secretário-geral da Organização das Nações Unidas, Ban Ki-moon, disse que a declaração aprovada por unanimidade pelo conselho passa à Síria uma clara mensagem pelo fim da violência, mas o apelo teve pouco impacto no terreno, onde rebeldes tentam derrubar o presidente sírio, Bashar al-Assad.

Fontes da oposição disseram que tanques do governo bombardearam um bairro grande da cidade de Hama, após combates entre os rebeldes do Exército Sírio Livre e forças pró-Assad.

O bombardeio destruiu casas no bairro de Arbaeen, na zona nordeste de Hama, que está na linha de frente da revolta. Fontes da oposição disseram que pelo menos 20 pessoas morreram em ataques do Exército na área nos últimos dois dias.

É impossível verificar os relatos vindos da Síria, por causa das restrições do governo ao trabalho da imprensa.

As tropas sírias também tentaram invadir nesta quinta-feira a cidade de Sermeen, matando um homem e ferindo dezenas, segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos, grupo oposicionista com sede na Grã-Bretanha.

A entidade acrescentou, com base na sua rede de informantes na Síria, que houve relatos de confrontos também na província de Hama, no centro, e na cidade de Deraa, no sul, onde vários soldados morreram numa emboscada, e que forças governistas fizeram revistas em casas na província de Deir al-Zor, no leste.

A declaração do Conselho de Segurança, que teve o voto da Rússia e da China, num raro momento de unidade global em relação à crise, apoia a iniciativa pacificadora do enviado especial Kofi Annan e alerta para "novos passos" caso a Síria não responda positivamente.

O plano de Annan prevê seis itens, inclusive a instauração de um cessar-fogo, a abertura de acesso humanitário às populações civis e o início de um diálogo entre o governo e a oposição. Prevê também que o Exército pare de usar armas pesadas em áreas populosas e que as tropas se retirem das cidades.

A declaração da ONU, que não tem a mesma força legal de uma resolução, fala também sobre a necessidade de uma transição política na Síria, mas sem exigir a renúncia de Assad, como propõem governos árabes e ocidentais.

Rússia e China vetaram anteriormente duas propostas de resolução sobre a Síria, por temerem que elas levassem a uma intervenção militar internacional nos moldes da que ocorreu no ano passado na Líbia.

A agência estatal de notícias da Síria aparentemente minimizou a declaração do conselho, dizendo que ele não contém "alertas nem sinais".

Na noite de quarta-feira, o conflito extravasou o território sírio, quando uma aldeia libanesa na fronteira foi atingida por diversos foguetes vindos do país vizinho. Uma pessoa ficou ferida.

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