Violência continua no Sri Lanka

A guerrilha dos tigres tâmeis do Sri Lanka anunciou nesta segunda-feira que não vai participar das conversas de paz com o governo cingalês na próxima semana, em Genebra, se não houver antes uma reunião interna. Enquanto isso, a violência continua provocando mortes na ilha. Quatro soldados cingaleses morreram neste domingo e outros dez foram feridos em Vavuniya (norte do país), após a explosão de uma mina. O total de mortes em diversos ataques na última semana já passa de 50. O Exército cingalês acusa a guerrilha dos Tigres de Libertação da Pátria Tâmil de provocar os ataques para fortalecer a sua posição nas negociações de Genebra. "Queremos informar com tristeza que, enquanto não forem superados os obstáculos para que possamos ir à reunião de Genebra num ambiente mais construtivo, nossa equipe não poderá participar do encontro", disse o chefe do braço político da guerrilha, S.P. Thamilchelvan, em carta aos mediadores noruegueses. No sábado passado, os Tigres cancelaram uma reunião interna entre seus comandantes do norte e do leste, alegando que não havia garantias para sua viagem por mar, devido à presença de navios da Marinha cingalesa nos arredores. Os rebeldes alegam que a reunião é fundamental para definir uma posição comum nas conversas de Genebra, segunda rodada do processo de paz. O grupo já havia pedido um adiamento das negociações para os dias 24 e 25. O Governo cingalês acusa a guerrilha de "torpedear" as negociações com a recente onda de violência na ilha. Mas também afirmou a sua convicção de que, no fim, a guerrilha vai a Genebra. O Sri Lanka vive há uma semana uma escalada de violência que causou a morte de cerca de 50 pessoas no leste e norte da ilha, regiões controladas pelos rebeldes. O Governo culpa os Tigres pelos incidentes. A guerrilha dos tigres tâmeis do Sri Lanka luta desde 1983 contra as autoridades cingalesas, exigindo a criação de um Estado. A etnia tâmil é minoriária no país mas majoritária no norte e leste. Cerca de 65 mil pessoas morreram na guerra civil no Sri Lanka até o início do cessar-fogo, em fevereiro de 2002.

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