Jorge Torres / EFE
Jorge Torres / EFE

Violência contra Igreja aumenta na Nicarágua em meio à repressão de Ortega a opositores

Grupos de oposição fazem greve de fome em dois templos católicos para exigir a libertação de 139 ‘presos políticos’; ONU alerta governo a acabar com a repressão a dissidentes

Redação, O Estado de S.Paulo

19 de novembro de 2019 | 10h51

MANÁGUA - A violência e o cerco aos templos católicos da Nicarágua aumentaram na segunda-feira, 18, em um momento de repressão do governo de Daniel Ortega a opositores que iniciaram greves de fome em duas igrejas para exigir a libertação de 139 "presos políticos".

Depois que policiais cercaram durante todo o dia os arredores da igreja de San Miguel de Masaya e da catedral de Manágua, onde grupos de opositores fazem jejum como parte da campanha "Natal sem presos políticos", a arquidiocese da capital da Nicarágua denunciou que partidários do governo invadiram a catedral de maneira violenta.

"Grupos violentos ligados ao governo invadiram e tomaram o controle da catedral de Manágua. Quando foram questionados pelo padre Rodolfo López e pela freira Arelis Guzmán, estas pessoas responderam com violência contra os religiosos", afirmou a arquidiocese, presidida pelo cardeal Leopoldo Brenes, em um comunicado.

Eles também quebraram os cadeados do campanário e outros pontos da catedral, acusou a igreja, que considerou o ocorrido uma "profanação" e pediu ao presidente Ortega respeito aos templos católicos.

ONU alerta governo da Nicarágua sobre repressão

O gabinete da alta comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, pediu nesta terça-feira, 19, que o governo nicaraguense "acabe com a repressão persistente da dissidência", diante da violência e do cerco aos templos católicos no país.

"Estamos muito preocupados com a situação de 13 pessoas que entraram em uma igreja na Nicarágua como uma forma de protesto, e que foram cercadas pela polícia", disse o porta-voz do Alto Comissariado, Rupert Colville. 

"O governo deve acabar com a repressão persistente dos dissidentes", acrescentou. 

Pressão contra o governo

A repressão aconteceu depois que a opositora Unidade Nacional Azul e Branco (UNAB), que reúne 92 grupos, anunciou novas ações de pressão contra o governo dentro de sua campanha "Natal sem presos políticos".

A oposição pretende organizar "protestos rápidos, manifestações, greves de fome simultâneas e uma paralisação nacional que será coordenada com as empresas privadas", afirmou Félix Maradiaga, um dos líderes da coalizão.

Ortega já chamou os bispos católicos de "golpistas" por seu apoio aos manifestantes que foram feridos durante os protestos de abril de 2018, que o governo atribuiu a uma tentativa frustrada de golpe de Estado.

Manifestantes pedem libertação de opositores presos

Na semana passada, 11 mulheres iniciaram uma greve de fome na igreja San Miguel de Masaya para exigir a libertação dos opositores presos. O governo, no entanto, não reconhece que a Nicarágua tenha detentos por motivos políticos.

Desde então, a polícia mantém um cerco ao templo para impedir o acesso aos manifestantes. As autoridades também cortaram o fornecimento de água da igreja.

Na segunda-feira, outros nove opositores anunciaram uma greve de fome na catedral de Manágua como parte da mesma campanha.

Os policiais também cercaram e bloquearam o acesso à catedral, mas horas depois simpatizantes do governo invadiram o local. Fontes da oposição afirmaram que as pessoas em greve de fome conseguiram entrar em uma instalação anexa da catedral para prosseguir com o protesto. / AFP

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