Violência contra mulher é epidemia em áreas de conflito, diz ONU

Ban Ki-moon quer a criação de um mecanismo de acompanhamento da violência de gênero

Efe,

24 de outubro de 2007 | 01h57

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, afirmou na terça-feira, 23, que a violência contra a mulher "alcançou atrozes proporções epidêmicas" em alguns países afetados por conflitos. Ban pediu uma reação individual e coletiva mais forte aos crimes contra as mulheres. Ele reforçou o seu pedido ao Conselho de Segurança para a criação de um mecanismo de acompanhamento da violência de gênero. "Isto é essencial se quisermos reverter o dano causado pelos conflitos e construir sociedades mais coesas, que incluam todos", disse, em seu discurso no debate realizado nesta terça no Conselho de Segurança da ONU sobre o cumprimento da resolução 1.325. O documento, adotado em 2000, contempla o direito da mulher à segurança e à participação em ações para manter a paz, como por exemplo as dos capacetes azuis. A ONU tem denunciado ao longo dos anos o uso da violência sexual como uma ferramenta de terror contra os civis, especialmente em cenários como o da República Democrática do Congo e o da região sudanesa de Darfur. Os dois conflitos provocaram enormes deslocamentos de população. Mulher na ONU Em relação ao papel da mulher na ONU, Ban observou que nos últimos sete anos aumentou a participação feminina nos processos de mediação, na busca da justiça, no desarmamento e na reconciliação. O subsecretário-geral para a Manutenção da Paz, o francês Jean Marie Guéhenno, lembrou a nomeação de Margarete Loj como representante especial das Nações Unidas para a Libéria. Atualmente ela está no comando de uma das maiores missões da organização. As missões no Sudão e Burundi também têm mulheres, no segundo posto de comando. Além disso, a Índia decidiu enviar à Libéria um contingente policial exclusivamente feminino. Um mês depois, triplicaram as solicitações de entrada de mulheres na Polícia Nacional liberianas, disse. Guéhenno considerou "urgente" um enfoque integrado ao fenômeno da violência contra a mulher em situações de conflito. "Enquanto a violação for utilizada como uma arma de guerra em lugares como a República Democrática do Congo e Darfur, enfrentar estes crimes de guerra requer mais que compromissos políticos e acordos para compartilhar o poder e os recursos", apontou. Guéhenno solicitou ao Conselho de Segurança que as missões da ONU levem em consideração o perigo que enfrentam as mulheres e as meninas. Os capacetes azuis oferecem segurança e a sua presença pode prevenir as agressões, apontou o diplomata.

Tudo o que sabemos sobre:
violência contra mulherconflitoONU

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.