Violência cresce e enfraquece processo de paz colombiano

O complexo processo de paz na Colômbia retomou nesta sexta-feira uma fase de enfraquecimento acelerado, enquanto ampliam-se os combates entre guerrilheiros e soldados do Exército nas zonas rurais e aumenta o terrorismo urbano. Nos últimos 15 dias, pelo menos 200 pessoas morreram e dezenas ficaram feridas.Em meio aos combates, o governo do presidente Andrés Pastrana mantém suspensas as negociações de paz com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e com o Exército de Libertação Nacional (ELN), os dois maiores grupos guerrilheiros do país.Mais de mil rebeldes esquerdistas das Farc, cercados por cerca de 5.000 soldados de elite da infantaria do Exército, foram aconselhados por um general a se renderem "para que não seja preciso recolher seus cadáveres em sacos negros".A assessoria de imprensa do Exército colombiano distribuiu hoje fotografias nas quais helicópteros militares são vistos elevando sacos negros com cadáveres que, segundo informações oficiais, pertenceriam a guerrilheiros.Aplicando táticas de guerra psicológica, os militares distribuem panfletos exigindo a rendição dos militantes das Farc e bombardeiam áreas de selva no sudeste do país, onde os guerrilheiros estão espalhados, disseram fontes militares.As Farc mantêm silêncio sobre os combates no limite entre departamentos de Meta e Guaviare, no centro e centro-sul do país respectivamente.No entanto, em um comunicado enviado à redação da agência de notícias italiana ANSA, eles reconheceram que houve duros confrontos com o Exército. Porém, não fazem referência às numerosas baixas - entre 200 e 300 - que os militares garantem ter infligido aos rebeldes durante bombardeios.Oficialmente, as Farc controlam cerca de 42.000 quilômetros quadrados no sul do país - uma zona desmilitarizada concedida por Pastrana para iniciar os diálogos de paz.Os militares ainda não informaram sobre suas baixas dentro da contra-ofensiva denominada Operação Sete de Agosto, data na qual se comemora a Batalha de Boyacá, com a qual se confirmou a independência do país.O coronel Germán Nicolás Pataquiva informou ainda que diversos adolescentes e crianças estão deixando as fileiras das Farc para se entregarem ao Exército, que promete recolocá-los na vida civil.Outro porta-voz militar garantiu que pelo menos 15 insurgentes entregaram-se nos primeiros dias de combate.Enquanto as Farc são atacadas no campo e na selva, os guerrilheiros do ELN avisaram que farão uma ofensiva contra diversas cidades como represália pela suspensão das negociações de paz por parte do governo.Hoje, o presidente Pastrana lamentou que existam "ouvidos surdos" por parte dos guerrilheiros, que não atendem às opções de paz dadas por Bogotá.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.