Violência custa por ano 8% do PIB de países da região

Governos são obrigados a tirar da educação e da saúde os poucos recursos disponíveis para caçar os narcotraficantes

Cristiano Dias, O Estado de S.Paulo

19 de junho de 2011 | 00h00

A presença de cartéis mexicanos na América Central, além de desestabilizar a região, tem um forte impacto na economia local. Segundo o Banco Mundial, a violência custa todos os anos 8% do PIB dos países centro-americanos. O maior prejuízo vem dos custos com seguradoras, que aumentam com a violência e causam fuga de capital.

A rede americana Walmart, por exemplo, anunciou recentemente que remanejou algumas de suas operações da Guatemala para a Costa Rica por razões de segurança. Com os bilhões que faturam com o tráfico, os cartéis têm acesso a armamento pesado e usam pequenos aviões, lanchas e até submarinos para transportar drogas da América do Sul para os EUA.

Para o analista político Fernando Giron Soto, da fundação guatemalteca Myrna Mack, o dinheiro do narcotráfico penetra na sociedade, corrompe funcionários públicos e flui diretamente ou indiretamente para o bolso da elite local. "Uma economia tão pequena como a da Guatemala, e com tantos problemas, por exemplo, não deveria ter a quantidade de bancos que tem", disse.

A violência força os governos locais a gastar seus limitados recursos na caça aos narcotraficantes. Para o presidente da Guatemala, Álvaro Colom, o país não tem a menor condição de lidar com o problema sozinho. De acordo com ele, a única solução seria os consumidores americanos pararem de comprar cocaína.

"Para cada dólar que os EUA nos dão de ajuda contra o narcotráfico, colocamos 40. Estamos deixando de lado a educação, a saúde e cuidando da cocaína e dos viciados de outros países", afirmou Colom na quinta-feira. "Em vez de colocar crianças nas escolas, somos obrigados a colocar policiais nas ruas."

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