Violência custou US$ 12 tri em 20 anos à região

Cálculo aparece em estudo feito por especialistas de vários países; sem guerras, renda seria duas vezes maior

Jamil Chade, O Estadao de S.Paulo

24 de janeiro de 2009 | 00h00

Os conflitos no Oriente Médio levaram à perda de US$ 12 trilhões nos últimos 20 anos. O alerta é de um levantamento feito por especialistas dos governos da Suíça, Noruega, Turquia e Catar, em parceria com o centro de pesquisa indiano Strategic Foresight Group.Os cálculos têm como base o conceito de "custo de oportunidade", ou aquilo que poderia ter sido feito com o dinheiro investido em guerras. Na equação, entram todos os gastos com armamento, assim como a perda de produtividade, prejuízos para o sistema de saúde, destruição de infraestrutura e renda não gerada. A renda per capita de todos os habitantes do Oriente Médio, incluindo os israelenses, seria duas vezes maior se houvesse paz, conclui o estudo. Hoje, a ganho médio anual de um palestino não chega a US$ 1,2 mil - no Iraque é de US$ 2,3 mil e no Líbano, US$ 5,6 mil. Se houvesse paz, a renda média anual de um israelense passaria de US$ 23 mil para mais de US$ 44 mil.O PIB do Iraque seria 30 vezes maior, não fossem as duas invasões americanas nos últimos 20 anos, que deixaram de 250 mil a 500 mil mortos. O estudo não inclui a guerra Irã-Iraque (1980-88). A Cisjordânia e a Faixa de Gaza são as duas principais vítimas dos prejuízos causado pela violência, segundo o principal autor do estudo, Sundeep Waslekar. "Só em Ramallah, Cisjordânia, os postos de controle das forças israelenses provocaram uma perda de 100 milhões de horas de trabalho desde 2000", afirmou.Para o diretor do Conselho Econômico Palestino para o Desenvolvimento, Mohamed Shtayyeh, o valor total de ajuda concedida pelo Ocidente aos palestinos - US$ 13,6 bilhões, desde 1994 - cobre apenas uma fração dos prejuízos causados pela violência. "O Ocidente não quer solucionar o conflito para os palestinos", criticou.COMPENSAÇÃOOntem, o chefe do departamento humanitário da ONU, John Holmes, advertiu que outra guerra entre palestinos e israelenses seria ainda mais sangrenta. "O que vemos há anos é uma escalada dos conflitos", disse. Holmes lembra que Israel não ofereceu nenhuma compensação à ONU pela destruição de seus prédios em Gaza. Durante os 22 dias de guerra, três escolas e a sede da organização foram atingidas por bombardeios. "Será a maior reconstrução que enfrentaremos."Holmes estima que a comunidade internacional terá de dar "centenas de milhões de dólares" nos próximos meses para responder às necessidades mais urgentes dos palestinos. "Com o cessar-fogo, vimos que o nível de destruição é bem maior do que a ONU esperava", afirmou.Mas o investimento estrangeiro em Gaza poderá ser comprometido caso o Hamas - considerado "terrorista" por Israel, EUA e União Europeia - continue a governar o território. Assim, diplomatas estrangeiros pressionam por uma reconciliação política e o retorno do governo do Fatah a Gaza.

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