Violência e 14 mortes marcam um ano de Hamas no poder

Em uma nova escalada de violência, militantes das facções palestinas rivais, Hamas e Fatah, se enfrentaram nesta sexta-feira na Faixa de Gaza, matando ao menos 14 pessoas e ferindo mais de 20. Os conflitos ofuscaram as comemorações convocadas pelo Hamas para celebrar o primeiro ano da vitória do grupo islâmico nas eleições.Esse é o maior número de mortos em uma única onda de violência entre os palestinos desde que o Hamas chegou ao poder, há exatamente um ano. Os enfrentamentos começaram na noite de quinta-feira, quando um membro do Hamas foi morto ao ser atingido por uma bomba em uma estrada próxima ao campo de refugiados de Jabaliya, no norte de Gaza. Poucas horas depois, um militante das Brigadas dos Mártires de Al-Aqsa - grupo ligado ao Fatah - foi morto a tiros quando chegava em casa. Ainda de madrugada, o Hamas cercou a casa de Mansour Shaleil, um importante integrante do Fatah acusado de balear um membro do Hamas, o que acabou detonando uma onda de retaliações entre os dois grupos. Mais tarde, a residência foi invadida e depois liberada, em um episódio que deixou ao menos dois mortos. Shaleil não ficou ferido.Os choques mataram mais sete militantes do Hamas, um do Fatah e ao menos dois civis na Cidade de Gaza. A violência também incluiu dezenas de seqüestros. O Brigadas de Mártires teriam capturados 24 militantes do Hamas em Nablus, na Cisjordânia, segundo um membro do grupo que não quis se identificar. Mais de 30 palestinos já foram mortos em confrontos entre os grupos rivais desde que o presidente Mahmud Abbas, do Fatah, anunciou, no mês passado, que convocaria novas eleições, depois de que negociações para formar um governo conjunto chegaram a um impasse. A medida levaria à dissolução do gabinete do premiê Ismail Haniye, do Hamas.Os confrontos obrigaram o Hamas a alterar seus planos para comemorar um ano no poder. O Hamas havia inicialmente programado demonstrações na Cisjordânia e Faixa de Gaza e o principal evento seria realizado na Cidade de Gaza, reduto político do grupo. Mas com a violência, apenas algumas centenas de seguidores do Hamas se reuniram em Jebaliya para celebrar. Haniye acabou cancelando sua participação no evento, por razões de segurança. A violência também fez com que as negociações para a formação de um governo de coalizão fossem adiadas para domingo. "Como podemos negociar se há uma bomba embaixo de nossa mesa? Não dialogamos com assassinos", disse o porta-voz do Fatah, Tawfiq Abu Khoussa. O Hamas, por sua vez, culpou a facção rival pelo fracasso nas negociações. "Seguindo o terrível massacre cometido hoje, nós decidimos adiar todo o diálogo com o Fatah", disse Ismail Radwan, um porta-voz do grupo.A medida é uma tentativa de reverter os embargos impostos aos palestinos pela comunidade internacional após a vitória do Hamas. O grupo, considerado terroristas por Israel, EUA e União Européia, prega a destruição de Israel.

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