Violência e insatisfação marcam 3º ano de invasão ao Iraque

Ataques insurgentes marcaram o aniversário de três anos da invasão americana no Iraque com bombardeios que deixaram pelo menos sete policiais mortos. As autoridades encontraram ainda dez corpos abandonados na capital, um deles de uma menina de treze anos. Um dos ataques desta segunda-feira aconteceu a apenas alguns metros de uma prisão localizada na região central de Bagdá, e matou ao menos três policiais iraquianos e um prisioneiro. Quatro militares ficaram feridos. O segundo ataque foi desfechado em uma área agrícola conhecida como Triângulo da Morte, ao sul da capital, e deixou quatro policiais mortos, informou o capitão Muthana Khalid Ali. Dez corpos executados também foram encontrados em Bagdá, na mais recente descoberta associada à disputa entre xiitas e sunitas. Mais de 700 pessoas já morreram vitimas da violência sectária que teve início com os ataques contra uma mesquita xiita em Samara, no dia 22 de fevereiro. Insatisfação popular Os cidadãos de Bagdá expressaram sua revolta quando perguntados sobre as mudanças desde a invasão americana. "Desde que as tropas vieram para o Iraque, não ganhamos nada. Três anos se passaram e o povo iraquiano ainda está sofrendo economicamente e psicologicamente", afirmou Ali Zeidan. No entanto, a insatisfação dos iraquianos não chegou às ruas, pois não foi registrada qualquer manifestação favorável ou contrária à presença de tropas estrangeiras no país. A única reação ao terceiro aniversário da invasão veio da Comissão de Ulemás Muçulmanos, que representa os sunitas. O porta-voz do grupo, Abdulsalam al-Qubaisi, criticou a ofensiva militar americana em Samara, ao norte de Bagdá, e exigiu a retirada paulatina dos "ocupantes" do Iraque. Os iraquianos xiitas concentram suas atenções nas festividades que lembram a morte, no século VII, do Imame Hussein, neto do profeta e filho do quarto califa muçulmano, Ali. Milhares de pessoas se reúnem na cidade de Karbala, 110 quilômetros ao sul de Bagdá. Novo governo No contexto político, os diferentes grupos xiitas, sunitas e curdos continuam sem chegar a um consenso para a formação de um governo de união nacional mais de três meses após as eleições de dezembro. Contudo, no domingo, eles anunciaram um acordo para estabelecer um conselho de segurança para lidar com questões importantes, enquanto as negociações continuam. O conselho será liderado pelo presidente Jalal Talabani. Em um editorial no jornal Washington Post desta segunda-feira, o primeiro-ministro interino do Iraque, Ibrahim al-Jaafari, disse que abafar o terrorismo e ressuscitar a economia são os maiores desafios que seu governo enfrenta. Em retorno à Casa Branca, depois de um final de semana em Camp David, o presidente falou sobre a questão iraquiana. "Estamos implementando uma estratégia que levará à vitória no Iraque. E a vitória no Iraque fará deste país um lugar mais seguro e ajudará a construir a fundação para a paz para as próximas gerações".

Agencia Estado,

20 Março 2006 | 14h31

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