Violência é prévia eleitoral

Situado entre Índia e Afeganistão, o Paquistão, de forte maioria muçulmana, tem sido sacudido há anos por atos de violência, assassinatos, pela guerra endêmica com os indianos e a influência dos taleban afegãos vizinhos. O país é uma peça fundamental da geopolítica da Ásia. Para os diferentes candidatos laicos e religiosos, de direita ou de esquerda, o mais difícil é chegar vivo ao dia da eleição. Nesse país, os assassinatos são como "primárias" que selecionam diferentes vencedores.

Gilles Lapouge*,

11 de maio de 2013 | 02h01

Na terça-feira, um dos principais pretendentes ao cargo de primeiro-ministro, o ex-astro do críquete Imran Khan, de direita, caiu de cabeça de um palanque diante dos olhos de seus partidários. A multidão viu seu herói ensanguentado. À noite, os informes sobre seu estado de saúde eram tranquilizadores.

No dia seguinte, um outro candidato, Bashir Ian, escapou da explosão do seu carro, que foi acompanhada de tiros de metralhadora contra ele. No dia 3, comandos islâmicos mataram um candidato à Assembleia Nacional e, na mesma ocasião, seu filho de 3 anos.

Os responsáveis pela maior parte desses atos violentos são radicais islâmicos aliados do Taleban que têm como alvo os cinco partidos laicos. Os militares, muito poderosos no país, não se manifestam, pois querem favorecer os candidatos conservadores dos quais são aliados.

A maioria das autorias dos assassinatos é reivindicada pelo grupo armado Tehrik-i-Taleban Pakistan (TTP), que quer castigar os partidos que governam o país há cinco anos e empreendem ações armadas contra o Taleban.

Para reduzir um pouco esse quadro sombrio, é preciso dizer que o TTP parece enfraquecido, exceto em alguns centros, como a enorme e caótica capital econômica do país, Karachi, cuja região metropolitana tem 23,5 milhões de habitantes.

O grupo foi aniquilado em seu feudo no Waziristão do Sul, próximo da fronteira entre Paquistão e Afeganistão. Ali, a tribo dos Mehsud, principal viveiro taleban, está quase inteiramente nos campos de refugiados. O Taleban da região foi forçado a recuar para o Waziristão do Norte, dirigido pelo chefe Gul Bahadur, que, aliás, firmou um acordo de não agressão com os oficiais do alto escalão do Exército paquistanês.

O TTP também está na defensiva na sua base tradicional, que é a zona tribal, justamente porque seus membros e seus guerreiros se converteram nas cidades de Peshawar ou Karachi.

Os analistas têm dificuldade para fazer previsões. No geral, dão como favorita a Liga Muçulmana do Paquistão-Nawaz, do ex-primeiro-ministro Nawaz Sharif. Eles veem numa eventual vitória de Sharif um avanço capital no sentido da consolidação de uma democracia que, com frequência, cambaleou sob os golpes dos fanáticos religiosos. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO  * É correspondente em Paris

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