Violência em Darfur atinge níveis "sem precedentes"

A Organização das Nações Unidas (ONU) alertou nesta terça-feira que a violência volta a crescer a níveis alarmantes em Darfur, Sudão. A ONU informou que nas últimas duas semanas morreram mais trabalhadores de ajuda humanitária que nos dois últimos anos. Tais acontecimentos colocam em risco as ações de ajuda. Julho foi considerado o mês mais perigoso para funcionários de ajuda humanitária em três anos. Segundo as organizações que atuam no Sudão, a falta de segurança pode piorar ainda mais as condições da população local, que depende da ajuda externa.A porta-voz do Escritório de Coordenação de Ajuda Humanitária da ONU (OCHA), Elizabeth Byrs, disse em uma coletiva de imprensa que "o acesso (às populações afetadas) se encontra no seu pior nível desde que Darfur começou a receber ajuda humanitária".A porta-voz disse ainda que "aumentam a cada dia" os riscos que os encarregados de fazer chegar a ajuda internacional correm. Em julho passado 8 trabalhadores foram assassinados durante o trabalho, em meio a uma onda de violência que afeta também as populações locais. A ONU considerou a onda de violência atual "sem precedentes". O representante especial das nações Unidas para o Sudão, Manuel Da Silva, considerou a situação como "completamente inaceitável", e pediu aos grupos envolvidos no conflito armado "que respeitem a neutralidade dos trabalhadores humanitários".Em declaração por escrito, Da Silva apontou que se a situação se mantiver, "se corre o risco de perder tudo o que se conseguiu nos últimos anos". Nas últimas semanas Darfur foi cenário de ataques e saques a veículos de organizações não governamentais. Muitos deles transportavam alimentos e vários foram alvos de tentativas de emboscadas, segundo Byrs. A porta-voz afirmou que a situação é tão alarmante que até ambulâncias foram atacadas. Byrs disse que, como conseqüência desses incidentes os funcionários de várias entidades de socorro, tanto sudaneses como estrangeiros, temem pela sua segurança quando entram em acampamentos de refugiados. Alguns deles têm se negado a realizar tal atividade. Darfur havia entrado em uma fase de estabilização em 2005, após dois anos de um conflito considerado pela ONU na época de maior catástrofe da história. Mais de 200 mil pessoas morreram e muitos se refugiaram em Chad, além de dois milhões de refugiados internos. Os conflitos começaram quando grupos étnicos africanos se revoltaram contra o governo árabe de Kartum e pegaram em armas em 2003. A região, uma das mais pobres do mundo, é a mais rica do Sudão em recursos naturais. A nova onda de violência acontece após a assinatura de um tratado de paz em maio de 2006, promovido pela União Africana (UA). Por meio deste acordo as partes se comprometeram a cumprir um cessar-fogo, enquanto a milícia árabe pró governamental Janjaweed, a que se atribuem numerosas atrocidades cometidas durante a guerra, seria desarmada, e os rebeldes integrados a um Exército unificado.

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