Violência em Karachi mata 30 pessoas em 24 horas

Grupos armados se espalham pela cidade paquistanesa e deixam pelo menos cem feridos

Efe

20 de outubro de 2010 | 05h03

Policiais fazem ronda em Karachi, a maior cidade do Paquistão.

 

ISLAMABAD - O governo paquistanês pediu unidade aos partidos para pôr fim à onda de violência étnica e política que há quase uma semana castiga a cidade de Karachi, onde nas últimas 24 horas 30 pessoas morreram, tal como informou nesta quarta-feira, 20, uma fonte policial.

Com ataques de grupos armados em vários pontos da metrópole, esta terça-feira foi o dia mais violento desde o início dos distúrbios, na quinta-feira passada, que já tiraram a vida de pelo menos 69 pessoas e deixaram cerca de 100 feridos, segundo dados da polícia.

O ataque mais sangrento ocorreu em um mercado de sucatas na área de Shershah, onde 12 trabalhadores e comerciantes morreram baleados por agressores que chegaram ao local em motocicletas e abriram fogo com rifles automáticos.

Segundo a imprensa paquistanesa, muitos lojistas fecharam os estabelecimentos comerciais e os trancaram com cadeado para tentar se esconder, mas isso não evitou que os agressores invadissem os locais.

"Enquanto estávamos abaixando as persianas de nossa loja, cinco homens armados ficaram em frente e tivemos de sair correndo. Ao voltarmos, encontramos cinco de nossos sócios mortos por tiros", explicou o comerciante Hammad Siddiqi ao jornal paquistanês Dawn.

Segundo a fonte policial, entre os últimos mortos há pessoas de origem baluchi (etnia do sudoeste), pashtun (do noroeste), sindhi - grupo da província de Sindh, cuja capital é Karachi - e mohairs, como são conhecidos os falantes de urdu que emigraram da Índia após a criação do Paquistão, em 1947.

Os fatos dessa semana são uma soma de ataques contra ativistas políticos, empresários e comerciantes, registrados em sete bairros da cidade portuária.

Segundo um comunicado, o primeiro-ministro paquistanês, Yousuf Raza Gillani, ligou nesta terça-feira ao ministro de Interior, Rehman Malik, e às autoridades de Sindh para avaliar a situação em Karachi, onde há soldados da força paramilitar Rangers.

De acordo com a nota, Gillani pediu a seus interlocutores que desenvolvam uma "estratégia conjunta" com o consenso das forças políticas para resolver a crise.

A violência de caráter étnico, político ou sectário, patrocinada por grupos mafiosos, é frequente em Karachi, uma metrópole com mais de 18 milhões de habitantes, onde convivem pessoas de todas as etnias do país.

Na cidade, considerada a capital financeira do país, são registrados os índices mais altos de criminalidade do Paquistão, ligada ao tráfico de drogas ou à propriedade de terras.

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