Violência entre cristãos e muçulmanos continua na Nigéria

Gangues armadas com facões e espingardas espalharam terror nas ruas da principal cidade cristã do país, Onitsha, nesta quarta feira, como resposta à violência entre cristãos e muçulmanos que assola o país e já deixou ao menos 76 mortos. Moradores da cidade disseram que três pessoas morreram nesta quarta-feira quando membros de gangues de rua buscavam vingança pelo ataque a escola cristã de Onitsha. A violência dos radicais explodiu no sábado, na cidade de Maiduguri, onde muçulmanos protestavam contra as charges de Maomé. Durante o protesto, extremistas destruíram 30 igrejas e exigiram a morte de 18 pessoas - na maioria cristãos. A violência continuou na segunda e na terça-feira, na cidade de Bauchi, onde muçulmanos se juntaram e mataram 25 pessoas.Nesta quarta, o clima na cidade era tenso. Porém, não houve mais violência devido às patrulhas policiais e militares mandadas para a região.Cristãos se reuniram para atacar islâmicos e seus negócios em Onitsha, nesta terça-feira, como represália contra cristãos em Maiduguri e Bauchi. Testemunhas disseram que duas mesquitas foram destruídas e ao menos 30 foram mortos, na maioria muçulmanos. Isotonu Achor, morador da cidade, disse que "há notícias de que atacaram uma escola primária nesta manhã e mataram crianças. Milhares de pessoas armadas estão correndo até o quartel. É bem possível que haja derramamento de sangue". Chris Ngige, governador da região, disse pela TV que mandou reforços policiais ao local e ordenou toque de recolher ao pôr-do-sol. Segundo o governador de Bauchi, Adamu Muazu, o estopim para a violência de terça-feira foi o boato infundado de que uma professora da escola cristã atacada teria profanado o Corão. O poderoso arcebispo nigeriano Peter Akinola disse, nesta terça-feira, que é perturbador constatar que charges publicadas na Dinamarca "possam produzir essa infeliz reação na Nigéria". Ele também alegou que esta violência foi planejada por pessoas que queriam islamizar o país.A Nigéria, país mais populoso da África, com mais de 130 milhões de pessoas, é religiosamente dividida entre uma maioria muçulmana ao norte e a minoria cristã ao sul. Milhares de pessoas morreram por causa de violência religiosa desde 2000.

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