Mohamad Torokman/Reuters
Mohamad Torokman/Reuters

Violência entre Israel e palestinos nas fronteiras deixa dez mortos

Pelo menos uma centena foi ferida nos confrontos; palestinos protestam hoje contra dia da fundação de Israel

REUTERS,

15 de maio de 2011 | 09h36

MAJFAL SHAMS, Colinas de Golã - A violência explodiu no domingo nas fronteiras de Israel com a Síria, o Líbano e a Faixa de Gaza, deixando pelo menos dez mortos e uma centena de feridos, enquanto palestinos lembravam a fundação de Israel em 1948, evento que qualificam de "catástrofe". Tropas israelenses dispararam contra manifestantes em três locais distintos para impedir que multidões atravessassem as fronteiras de Israel, no confronto mais mortífero desse tipo em anos.

 

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Relatos da mídia israelense e síria disseram que disparos de Israel mataram quatro pessoas depois de dezenas de refugiados palestinos vindos da Síria terem infiltrado as Colinas de Golã, ocupadas por Israel, ao longo de uma fronteira disputada mas que está calma há décadas.  Testemunhas na fronteira libanesa próxima disseram que quatro palestinos foram mortos depois de forças israelenses terem disparado contra manifestantes que atiravam pedras, para impedi-los de atravessar a fronteira. Mais cedo, o exército libanês tinha feito disparos no ar em uma tentativa de conter a multidão.

 

Na tensa fronteira sul de Israel com a Faixa de Gaza, segundo paramédicos, disparos israelenses feriram 60 palestinos quando manifestantes se aproximaram da barreira entre Israel e o enclave comandado pelo Hamas. Em Tel Aviv, o centro comercial de Israel, um caminhão conduzido por um israelense árabe foi jogado contra veículos e pedestres, matando um homem e ferindo 17 pessoas.

 

A polícia estava tentando determinar se o incidente foi um acidente ou um ataque. Testemunhas disseram que o motorista, que foi preso, se descontrolou com o caminhão no meio do trânsito do centro da cidade. As forças de segurança de Israel estavam em alerta contra violência neste domingo, o dia em que os palestinos lembram a "Nakba", ou catástrofe, da fundação de Israel em uma guerra de 1948, quando centenas de milhares de palestinos fugiram ou foram forçados a abandonar suas casas.

 

No povoado druso de Majdal Shams, nas Colinas de Golã - capturadas da Síria por Israel em 1967-, o major Dolan Abu Salah disse que entre 40 e 50 manifestantes do Nakba vindos da Síria passaram à força pela barreira da fronteira. Centenas de manifestantes invadiram o fértil vale verde que marca a área da fronteira, agitando bandeiras palestinas. Tropas israelenses tentaram consertar a barreira rompida, disparando contra o que o exército descreveu como infiltradores.

 

"Estamos vendo aqui uma provocação iraniana, nas fronteiras síria e libanesa, para tentar explorar as comemorações do dia da Nakba", disse o porta-voz chefe do exército, tenente-coronel Yoav Mordechai. A Síria abriga 470 mil refugiados palestinos, e em anos anteriores sua liderança, que agora enfrenta turbulência interna aguda, impediu manifestantes de chegarem à cerca da fronteira. "Parece que se trata de um ato cínico e descarado da liderança síria para propositalmente criar uma crise na fronteira, de modo a desviar as atenções dos problemas internos muito reais que o regime enfrenta", disse um alto funcionário governamental israelense que pediu anonimato.

 

Em um protesto de Nakba na Cisjordânia ocupada, jovens palestinos atiraram pedras contra soldados de Israel, que dispararam gás lacrimogêneo e balas de borracha em um enfrentamento no posto de inspeção militar nos arredores da cidade de Ramallah, local de tensões frequentes. Um adolescente palestino foi morto a tiros em Jerusalém durante protestos na sexta-feira. A polícia disse que não ficou claro quem o baleou e que está investigando. O incidente ocorreu no bairro tenso de Silwan, em Jerusalém oriental, onde ocorrem incidentes frequentes de violência entre palestinos que atiram pedras em policiais israelenses e colonos judeus.

 

Os palestinos querem Jerusalém oriental como capital do Estado que pretendem criar na Cisjordânia e Faixa de Gaza.

 

Texto atualizado às 12h15.

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