Violência entre peronistas esquenta o clima político na Argentina

Os sindicatos argentinos se distanciaram nesta quarta-feira da batalha campal que marcou o traslado dos restos mortais do general Juan Domingo Perón, enquanto a oposição culpou o presidente do país, o peronista Néstor Kirchner. Apesar de a cúpula do governo ter evitado, até agora, comentar os confrontos com paus, pedras e até mesmo armas de fogo, que deixaram entre 40 e 60 feridos, setores governistas acusaram a ala do Partido Justicialista (PJ, peronista) comandada por Eduardo Duhalde, antecessor de Kirchner na Presidência e seu adversário político. Hugo Moyano, secretário-geral da Confederação Geral do Trabalho (CGT), maior central sindical do país, garantiu nesta quarta-feira que os distúrbios de terça foram "armados" com o objetivo de impedir a presença do presidente no ato. Kirchner cancelou sua participação devido aos atos de violência. Os distúrbios foram protagonizados por grupos sindicais rivais que disputavam espaço em frente ao palco onde foi prestada uma homenagem póstuma a Perón antes de o caixão com seu corpo ser colocado em um mausoléu construído no sítio "17 de Outubro", em San Vicente, a 40 quilômetros de Buenos Aires. O féretro que contém o cadáver embalsamado do homem que presidiu a Argentina por três vezes foi levado na terça-feira do cemitério de Chacarita, na capital argentina, a essa residência, que pertenceu ao general e atualmente é um museu, onde seus restos repousarão a partir de agora.AtiradorMoyano, também líder do sindicato dos caminhoneiros, admitiu que Emilio Quiroz, mostrado pela TV no momento em que disparava com uma arma de fogo, é empregado de sua associação. "O que este homem fez é um fato lamentável. Se ele tiver que ser preso, que seja", disse Moyano, acrescentando que não sabia se os distúrbios haviam sido provocados por uma antiga rixa entre o sindicato dos caminhoneiros e o dos operários da construção, como disse a maioria das testemunhas. Um juiz ordenou nesta quarta a captura de Quiroz, que, segundo diferentes fontes, seria ligado a Pablo Moyano, filho do secretário-geral da CGT e tesoureiro do sindicato dos caminhoneiros. Julio Piumato, líder dos trabalhadores judiciais, atribuiu os incidentes na residência "17 de Outubro" a "setores do poder econômico" que são "contra os interesses populares". O dirigente afirmou que "nenhum peronista" participou dos atos desta terça-feira com a intenção de "quebrar a casa e o carro de Perón", que foram danificados nos confrontos. Para Piumato, "há uma campanha montada contra a reeleição de Kirchner".

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