Violência étnica deixa 4 mortos em Mianmar

Forças de segurança que patrulham a cidade de Sittwe, oeste de Mianmar, retiraram nesta segunda-feira corpos dos destroços de casas queimadas no fim de semana, resultado da pior violência sectária dos últimos anos. A atmosfera na cidade é tensa e os moradores temem sair de suas casas.

AE, Agência Estado

11 de junho de 2012 | 12h47

A violência entre budistas e muçulmanos, que deixou sete mortos e dezenas de casas destruídas desde sexta-feira, é um dos maiores desafios do novo governo do país, que enfrenta dificuldades em reformular o país, após gerações de domínio dos militares. A forma que o presidente Thein Sein lida com a violência será observada de perto pelos países ocidentais, que têm elogiado a nova administração e recompensando o país com a diminuição das duras sanções econômicas.

Thein Sein declarou estado de emergência na região e pediu o fim à "violência anárquica sem fim", alertando que se a situação sair do controle as reformas democráticas lançadas por ele podem ser prejudicadas.

Violência étnica entre budistas Rakhine e membros de uma minoria muçulmana que se autodenomina Rohingyas eclodiu na sexta-feira no Estado de Rakhine e espalhou-se para Sittwe.

Os distúrbios tiveram início no mês passado, após o suposto estupro e assassinato de uma garota budista por três muçulmanos, seguida pelo linchamento de 3 muçulmanos.

Agências humanitárias internacionais acreditam que cerca de 800 mil muçulmanos Rohingyas vivem no montanhoso estado de Rakhine, na fronteira com Bangladesh. Todo ano milhares tentam deixar Mianmar em direção a Bangladesh, Malásia e outros lugares da região, para escapar de abusos que, segundo grupos de direitos humanos, incluem trabalho forçado, violência contra mulheres e restrições de movimento, casamento e reprodução.

A polícia recuperou quatro corpos, incluindo um encontrado em um rio, que parece ser de uma mulher budista. Os outros três corpos estavam envoltos em lençóis, por isso não ficou claro quem eram. Duas famílias muçulmanas foram retiradas, pois suas casas estavam localizadas entre residências budistas. As informações são da Associated Press.

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