Bryan Denton/NYT
Bryan Denton/NYT

Violência étnica no sul do Quirguistão foi orquestrada, diz ONU

Relatório concluiu que grupo armado incitou tensão entre usbeques e quirguizes

Reuters,

15 de junho de 2010 | 21h19

OSH- A ONU encontrou provas de que a violência sangrenta que já deixou centenas de mortos e 100.000 usbeques desabrigados no Quirguistão, ao mesmo tempo em que reduziu a ruínas a segunda maior cidade do país, foi intencional.

 

Veja também:

linkONU pede que Quirguistão mantenha eleições mesmo com atuais conflitos

linkONU investiga denúncias de estupros e assassinatos contra etnia no Quirguistão

 

A postura do órgão de que os confrontos "foram orquestrados, dirigidos e bem planejados" por grupos armados e mascarados, apoia a afirmação do governo de que os agressores foram contratados para que cometessem atos violentos em Osh, enquanto disparavam contra quirguizes e usbeques para incendiar antigas tensões entre as duas etnias.

 

As autoridades interinas do Quirguistão responsabilizaram os principais colaboradores do ex-presidente Kurmanbek Bakiyev de incitar os distúrbios, os quais foram a pior onda de violência étnica em 20 anos na Ásia Central.

 

O derramamento de sangue prejudicou a ascensão ao poder do governo provisório e ameaça frustrar a realização de um referendo crucial previsto para o final deste mês.

 

Na terça, dezenas de usbeques estavam estendidos em corredores e camas rotas em um hospital próximo a Osh, e muitos coincidiram em qualificar de premeditadas as agressões contra eles.

 

"Pessoas perfeitamente armadas e preparadas para este conflito dispararam contra nós", disse Teymurat Yuldashev, que foi atingida por balas de diferentes calibres em um braço e no peito. "(Os agressores) estavam organizados, com armas, milicianos e francoatiradores. Simplesmente nos aniquilaram", afirmou Yuldashev,

de 26 anos.

 

Ao menos 100.000 usbeques fugiram para salvar suas vidas ao vizinho Usbequistão e dezenas de milhares mais, em sua maioria mulheres e crianças, acamparam no lado quirguiz ou ficaram presos atrás de cercas com arame farpado.

 

O Comitê Internacional da Cruz Vermelha desconhecia a cifra exata de mortos, mas o porta-voz do organismo, Christian Cardon, afirmou que estaria "falando de centenas".

 

A presidente interina do Quirguistão, Roza Otunbayeva, disse que o número real de mortos seria "várias vezes maior" que o oficial de 179, devido a que muitas vítimas fatais foram enterradas rapidamente por suas famílias, conforme a tradição muçulmana. Cerca de 1.900 pessoas estão feridas, de acordo com o Ministério da Saúde.

 

Otunbayeva disse que conversou novamente com o presidente russo, Dmitri Medvedev, sobre o possível envio de forças até a zona de tensão, mas Moscou rechaçou essa alternativa no fim de semana.

 

Estados Unidos e Rússia possuem bases aéreas no Quirguistão, geograficamente estratégico, mas elas estão localizadas ao norte, longe do conflito.

 

O governo de Otunbayeva, que assumiu após a deposição de Bakiyev em abril, durante uma revolta, afirmou que a família do ex-governante instigou a violência para impedir um referendo sobre uma nova Constituição, previsto para 27 de junho.

 

As autoridades provisórias precisam do resultado do plebiscito para ganhar legitimidade e fincar as bases das eleições legislativas de outubro.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.