Violência faz Chávez cancelar viagem ao Brasil

O ministro das Relações Exteriores da Venezuela, Arévalo Méndez Romero, disse hoje de manhã que o presidente de seu país, Hugo Chávez, cancelou sua participação na XXIII Cúpula do Mercosul, Chile e Bolívia, que se realiza em Brasília, em virtude de planos de violência e da ameaça de golpe de Estado no país vizinho. "Quando há uma agenda golpista, de violência, o presidente não pode deixar o País", afirmou Méndez. Ele ressaltou que, nessas condições, o presidente venezuelano tem de conduzir o processo interno e permanecer na Venezuela. Segundo Méndez, não se trata apenas de fazer frente às greves gerais convocadas pela oposição a seu governo, que não conseguiram apoio da maioria da população. Na avaliação do ministro, o grande motor da crise política é a reação às mudanças no modelo econômico venezuelano promovidas por Chávez. "Se eu fosse contrabandista há pelo menos cem anos e houvesse um governo querendo acabar com isso, claro que eu participaria de um golpe", afirmou Méndez. Usando o mesmo raciocínio, ele vinculou a turbulência na Venezuela às decisões tomadas por Chávez de centralizar a gestão de projetos de infra-estrutura, de ajustar o orçamento público e de destinar mais recursos ao ensino público. O chanceler venezuelano afirmou ainda que, durante a reunião de ministros das Relações Exteriores do Mercosul, Chile e Bolívia, ontem em Brasília, houve uma manifestação de pleno apoio do Mercosul à preservação das instituições democráticas da Venezuela. "O que há de facista, de nazista e de violência não vem do governo Chávez, mas da oposição", afirmou.

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