Violência faz população fugir da capital iemenita

Por causa dos combates, moradores se refugiam em vilarejos próximos de Sanaa, onde falta água, comida e gasolina

, O Estado de S.Paulo

06 de junho de 2011 | 00h00

A calmaria de ontem nas ruas de Sanaa, capital do Iêmen, não parecia condizer com a realidade de um país à beira da guerra civil envolvendo tribos e clãs locais. Grande parte da população deixou a cidade após o confronto de sexta-feira, que deixou ferido o presidente do país, Ali Abdullah Saleh, após morteiros e foguetes atingirem a mesquita onde ele rezava dentro do palácio do governo.

Temendo um aumento da violência, moradores de Sanaa buscaram refúgio nos vilarejos próximos à capital, deixando grande parte da cidade desabitada. Praticamente não se viam carros e poucas pessoas circulavam pelas ruas, algo pouco comum para um domingo, dia de trabalho para os muçulmanos. Mesmo assim, centenas de postos de controle do Exército e da polícia - leais ao presidente - checavam os poucos carros e pedestres que transitavam pelas vias de acesso da capital iemenita.

Na região norte de Sanaa, palco dos mais violentos confrontos entre as forças de segurança e grupos da oposição, diversas ruas foram bloqueadas com pedras, carros e troncos de árvore pelos moradores, que tentam evitar que os conflitos avancem. "Parece outra cidade hoje", disse Mahmoud Basir, guia de viagens. "Na quinta-feira, subimos no telhado de casa para ver os tiros. Hoje, tudo está calmo."

A tranquilidade aparente não diminuiu algumas das principais dificuldades enfrentadas pela população: praticamente não há gasolina, já que a principal rota de abastecimento foi tomada pelos rebeldes. O abastecimento de água também foi comprometido - os caminhões-tanque que cobravam US$ 8 para reabastecer casas e hotéis passaram a cobrar US$ 60. Nos supermercados e restaurantes ainda há comida, mas artigos supérfluos e laticínios são difíceis de encontrar.

Para completar o quadro de incertezas, ninguém sabe ao certo com que gravidade o presidente do país foi ferido e se ele poderá ou não reassumir o posto. "Espero que o presidente esteja bem. O governo é corrupto, mas a oposição também. É melhor continuarmos com quem já conhecemos", disse Issa Al-Kabir, motorista particular.

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