Violência impedirá eleições no Zimbábue, alerta ONG

Human Rights Watch afirma que governo tem campos de tortura e 'reeducação' contra opositores

Efe,

09 de junho de 2008 | 10h15

A onda de violência política acabou com qualquer esperança de serem realizadas eleições livres e justas no dia 27 de junho no Zimbábue, afirmou nesta segunda-feira, 9, em comunicado a organização pró-direitos humanos Human Rights Watch (HRW). A HRW elaborou um extenso relatório no qual denunciava que pelo menos 36 pessoas foram assassinadas por razões políticas desde o primeiro turno das eleições, em 29 de março, e mais de duas mil pessoas foram vítimas de violência. "Desde que o segundo turno da eleição foi anunciado, a violência no Zimbábue aumentou", disse Georgette Gagnon, diretora da HRW na África. "O povo do Zimbábue não pode votar livremente se teme que isto possa acabar com sua vida", acrescentou. "Documentamos inúmeros incidentes de seqüestros, espancamentos, torturas e massacres realizados pelos oficiais e partidários do partido no poder, a União Nacional Africana do Zimbábue (Zanu, em inglês)", disse a HRW em seu comunicado. "O Zanu e seus aliados estabeleceram por todo o país campos de tortura e de reeducação totalmente abusivos para obrigar os membros do Movimento para a Mudança Democrática (MDC, em inglês) - partido de oposição - a votarem em Mugabe", publica a HRW no relatório. Centenas de pessoas foram vítimas de agressões, em alguns casos mortais, com troncos, chicotes, correntes de bicicleta e outros objetos durante as reuniões nos campos de "reeducação". Segundo o relatório, mais de 3 mil pessoas fugiram da violência e precisaram ir para cidades e povoados espalhados por todo o país, em locais onde não há acesso adequado a comida e água. Além disso, um número desconhecido de pessoas deslocou-se para os países vizinhos de Moçambique, Botswana e África do Sul. "O presidente Mugabe e o governo do Zimbábue são os responsáveis absolutos por estes sérios crimes", declarou Georgette Gagnon no comunicado publicado. "Os membros da União Africana (AU) e da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC) não deveriam ignorar a situação", disse Gagnon. "Deveriam deixar claro ao Zimbábue que não aprovarão as eleições e seus resultados se o governo não tomar medidas imediatas para acabar com a violência", acrescentou. O presidente do Zimbábue, Mugabe, e o líder da MDC, Morgan Tsvangirai, vão se enfrentar em 27 de junho no segundo turno das eleições presidenciais. No primeiro turno, realizado em 29 de março, Mugabe perdeu o poder no Parlamento pela primeira vez em 28 anos. O segundo turno das eleições presidenciais será necessário, pois nenhum dos partidos conseguiu a maioria absoluta exigida no país para ser declarado vencedor. O MDC nunca aceitou o resultado do primeiro turno, publicado mais de um mês após a votação, e no qual conseguiu 47,9% dos votos válidos. "Isto é um escândalo, um 'roubo à mão armada', não podemos acreditar", disse o porta-voz do MDC, Nelson Chamisa, ao tomar conhecimento dos resultados.

Mais conteúdo sobre:
eleiçõesZimbábue

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.