Violência interna palestina deixa um morto e 15 feridos

Tiroteios entre atiradores do Fatah e milicianos do Hamas irromperam na noite desta segunda-feira na cidade de Rafah, no sul da Faixa de Gaza, deixando uma pessoa morta e ferindo outras 15. O incidente acontece um dia depois da pior onda de violência interna nos territórios palestinos desde que o grupo radical islâmico Hamas assumiu o governo.Os enfrentamentos foram os últimos de uma série de batalhas esporádicas ao longo do dia. Militantes do Fatah apoiaram um ataque generalizado em várias cidades da Cisjordânia, enquanto o governo palestino do Hamas paralisou as funções de todos os seus ministérios. A medida tem por objetivo garantir a segurança um dia depois que prédios e funcionários públicos foram atacados por manifestantes ligados ao Fatah.A suspensão das atividades nos escritórios do governo palestino também visavam proteger alguns funcionários públicos que, segundo o Hamas, teriam sofrido "tentativas de seqüestro" no domingo. Em retaliação, o Fatah organizou uma greve entre as empresas da Cisjordânia contra o governo do primeiro ministro Ismail Haniye, do Hamas.Ainda assim, o nível da violência desta segunda-feira ficou bem abaixo do caos das batalhas urbanas que deixaram oito mortos e 100 feridos na Faixa de Gaza no domingo. Os embates entre os militantes dos dois principais partidos palestinos perderam força, mas alguns episódios de violência foram registrados tanto na Faixa de Gaza quanto na Cisjordânia.Milicianos do Fatah alvejaram um garçom que se recusou a fechar seu restaurante para aderir à greve e, em Beit Hanoun, apedrejaram a casa do ministro para Assuntos de Refugiados, Afef Udwan, do Hamas. Em outro incidente grave, as forças do Hamas abriram fogo contra os familiares de um militante do Fatah dentro do principal hospital da cidade de Gaza. EstopimO estopim dos confrontos foi uma manifestação realizada no domingo por policiais leais ao Fatah e ao presidente Mahmud Abbas, para reivindicar o pagamento de salários atrasados desde março. O Hamas enviou as forças de segurança ligadas ao seu governo para conter o protesto e os dois grupos entraram em choque. Desde a criação da ANP, há onze anos, a administração dos territórios autônomos estava nas mãos do Fatah. A vitória do Hamas em janeiro nas eleições parlamentares, em janeiro deste ano, não só desencadeou uma feroz disputa pelo poder, como colocou a ANP em sérios apuros econômicos. Desde que Haniye assumiu, em março deste ano, os EUA e a União Européia, que consideram o Hamas um grupo terrorista, cortaram mais de US$ 1 bilhão em ajudas anuais aos palestinos. Pouco antes, Israel havia suspendido o repasse dos US$50 milhões mensais, referentes a impostos palestinos arrecadados em território israelense. Por causa das sanções econômicas, a maior parte dos 167 mil funcionários públicos palestinos está sem salário e escolas e hospitais públicos funcionam precariamente. Os dois partidos palestinos estavam tentando chegar a um acordo para formar um governo conjunto, numa tentativa de suspender o bloqueio, mas as negociações estavam entravadas por causa da recusa do Hamas em reconhecer a legitimidade de Israel. Os recentes conflitos aumentam ainda mais os entraves para um governo de coalizão.

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