Violência leva 65 mil iraquianos a deixar suas casas

O governo iraquiano disse que dobrou, nas últimas duas semanas, o número de pessoas que deixaram as suas casas para fugir da violência sectária que assola o país. Cerca de 65 mil pessoas saíram dos lugares onde moravam por causa de violência, intimidação ou simplesmente medo de ser atacadas. No final de março, esse número estava em 30 mil. O êxodo começou a se intensificar no fim de fevereiro, logo depois do ataque a uma mesquita xiita de Samarra, que detonou uma onda de hostilidades entre a minoria sunita e a maioria xiita. Desde então, centenas de pessoas morreram em incidentes motivados por tensões étnicas. Boa parte da migração ocorre na região da capital, Bagdá, onde a violência tem se concentrado. A organização humanitária Crescente Vermelho afirma que está fornecendo comida e abrigo a cerca de 2 mil famílias em Bagdá. Centenas de sunitas do sul do Iraque, onde a população é majoritariamente xiita, têm se mudando para áreas predominantemente sunitas, como Fallujah, a oeste de Bagdá. O correspondente da BBC em Bagdá, Andrew North, informa que a intimidação é muitas vezes feita por telefone celular, seja com mensagens ameaçadoras ou até com vídeos violentos filmados com câmeras embutidas nos telefones. Um deles mostra um homem sunita que entrou numa área predominantemente xiita de Bagdá ser espancado e morto por um grupo vestido de preto. Esse vídeo foi enviado a sunitas com uma mensagem dizendo que a pessoa será submetida à mesma coisa se se arriscar a entrar naquela parte da cidade. Mas uma reportagem do jornal americano The Christian Science Monitor sobre o problema também conta casos de intimidação de xiitas, acusados por sunitas de colaborar com o governo. "Famílias estão vivendo em carros", disse o xiita Abu Ali ao jornal. "É como se os xiitas não fossem seres humanos." Em outro caso, moradores de um acampamento improvisado em Chikook, um subúrbio de Bagdá, guardam cartas de militantes sunitas dando-lhes 24 horas para sair de suas casas ou enfrentar "o julgamento de Deus", diz o repórter do jornal. Ainda segundo o diário, decepcionados com o que entendem como falta de ajuda do governo, os refugiados xiitas de Chikook têm contado com o apoio do clérigo xiita Moqtada al-Sadr. A ONU tem uma presença reduzida no Iraque, mas funcionários da organização na Jordânia dizem que já estão tentando obter recursos de emergência para lidar com o problema.

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