Violência marca 2º aniversário da rebelião na Síria

Dois anos após episódio que desatou levante, rebeldes tomam base do Exército em Alepo e caminhões sírios são atacados no Líbano

DAMASCO, O Estado de S.Paulo

16 de março de 2013 | 02h08

O principal grupo rebelde da Síria marcou ontem o segundo aniversário do levante com a promessa de lutar até o fim contra o regime "criminoso" de Bashar Assad. "Caros amigos, o Exército Sírio Livre não desistirá", disse seu comandante, o general Salim Idris. Ontem, insurgentes e forças de Damasco voltaram a travar intensos combates no norte e alvos sírios foram atacados em território libanês.

As ruas de Damasco amanheceram sob forte esquema de segurança, enquanto líderes de vários grupos de oposição conclamavam suas forças a atacar prédios e autoridades do governo Assad.

"Lutaremos pela liberdade e democracia", disse o general Idris em um vídeo gravado em um lugar não revelado do norte da Síria e distribuído a agências de notícias.

A instabilidade síria teve início há exatamente dois anos, depois que forças do regime detiveram jovens que haviam pichado frases anti-Assad em muros de Deraa, cidade no sul do país. Desde então, o conflito transformou-se em uma das mais sangrentas guerras civis da história do Oriente Médio, com mais de 70 mil mortos e 1 milhão de refugiados.

"Queremos uma Síria na qual todos os sírios possam viver em paz e liberdade. Esse é nosso sonho. É por isso que estamos lutando", afirmou o principal comandante rebelde. "Sei que nossa batalha não é fácil. Temos de lutar contra aviões, tanques e mísseis. Mas nossa determinação é muito forte e não vamos parar até que esse regime criminoso desapareça."

Segundo ativistas sírios, o dia de ontem foi marcado por batalhas em Khan Touman, nas cercanias de Alepo. Rebeldes afirmam ter tomado bases do Exército onde eram mantidos arsenais do regime - vídeos postados no YouTube pelos opositores mostravam guerrilheiros nas instalações, abrindo caixas de madeira que continham mísseis, embora seja impossível comprovar a veracidade das filmagens.

Segundo testemunhas, uma facção ultrarradical islâmica dos rebeldes tomou um posto de controle diante da Academia Militar de Alepo. Os combatentes pertenceriam à Frente al-Nusra, ligada à Al-Qaeda. Em meio a temores de que a crise contamine o vizinho Líbano, ao menos dois caminhões com placas sírias foram atacados em território libanês com bombas incendiárias.

Apoio externo. A data foi marcada por protestos em vários países, principalmente no mundo islâmico e na Europa. Apesar das dezenas de milhares de mortes, o Conselho de Segurança da ONU permanece praticamente em silêncio diante da crise na Síria. Com apoio da China, a Rússia - histórica aliada do clã Assad - rejeita a imposição de sanções internacionais contra Damasco ou a exigência de que Assad deixe incondicionalmente o poder.

Nas últimas semanas, americanos e europeus indicaram que ampliarão o apoio aos rebeldes - incluindo com armas. Na quinta-feira, o presidente francês, François Hollande, iniciou uma campanha para que a União Europeia levante o embargo à Síria, para que os europeus possam fornecer armamento aos opositores.

Em uma viagem ao Oriente Médio no início do mês, o novo secretário de Estado dos EUA, John Kerry, prometeu US$ 60 milhões em ajuda não letal às forças rebeldes. / AP

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