Violência marca fechamento das sedes do braço político do ETA

Num clima de grande tensão com choques entre manifestantes e policiais, forças de segurança fecharam nesta terça-feira as sedes do Batasuna (Unidade), acusado de ser braço político do grupo terrorista ETA (Pátria Basca e Liberdade) em Vitória, Bilbao e San Sebastián, cumprindo ordem da Justiça espanhola. A ordem para a lacração das sedes por três anos foi dada pelo juiz Baltasar Garzón, que investigou as ligações do ETA com políticos e empresários do País Basco. A exemplo do primeiro-ministro espanhol, o direitista José María Aznar, e do partido opositor socialista, que o apóia neste caso, o juiz considera o Batasuna um "instrumento do ETA" - grupo que desde 1968, quando desencadeou a luta armada pela independência do País Basco, assassinou mais de 800 pessoas - e atribuiu ao partido os mesmos "crimes contra a humanidade" do grupo armado. A medida judicial determina também o encerramento de todas as atividades do partido durante três anos, prorrogáveis para cinco, incluindo manifestações de ordem política, publicações e sites na Internet. Ela não atinge, no entanto, cerca de 15 deputados e vereadores eleitos pelo voto direto no País Basco. Eles manterão os cargos até o fim do mandato. Em Vitória (capital basca), os agentes entraram em confronto com 30 nacionalistas antes de invadirem e lacrarem a sede do Batasuna. Pelo menos 100 simpatizantes tentaram impedir a ação da polícia em Bilbao. Atiraram pedras, moedas e coquetéis molotov na direção dos agentes, que reagiram com bastões. Esse cenário repetiu-se em San Sebastián, com a multidão cantando o Eusko Gudariak (hino do soldado basco). Em Tolosa, perto de San Sebastián, a polícia desativou uma bomba. As sedes do Batasuna foram lacradas também em Estella, Tafalla, Viana, Alsasua, Leiza, Elizondo e Tudella - todas em Navarra. O porta-voz do grupo, Arnaldo Otegi, disse que o Batasuna vai recorrer ao Tribunal Europeu e continuará em atividade. A ofensiva contra o Batasuna é rejeitada pelo Partido Nacionalista Basco - uma força "moderada", na opinião de Madri -, que advertiu que a conseqüência direta da medida será um agravamento do conflito e da violência, enquanto o Batasuna qualifica Aznar de "fascita" e de ter lançado ataques contra o partido desde que assumiu o poder há seis anos.

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