Violência mata mais 52 na Síria, afirma oposição

Em Deraa, onde teve início distúrbios contra Assad, bombardeio teria deixado 20 mortos

DAMASCO, O Estado de S.Paulo

10 de junho de 2012 | 03h04

Na sequência de uma série de ofensivas sangrentas levada a cabo supostamente por forças leais ao ditador sírio, Bashar Assad, pelo menos 20 pessoas - entre elas, 10 mulheres e 6 crianças - foram mortas entre sexta-feira à noite e a madrugada de ontem na cidade síria de Deraa, de acordo com grupos que se opõem a Damasco. A oposição afirma que, em toda Síria, o número de mortos ontem foi de 52.

Os confrontos se concentraram em subúrbios de Damasco e em Deraa. Segundo testemunhas, batalhas de rua na capital chegaram a durar quase 12 horas.

Observadores da ONU afirmaram que insurgentes dispararam obuses contra uma usina de energia nos arredores de Damasco. Pelo menos seis tanques de Assad teriam atacado o bairro residencial de Qaboun. Confrontos na cidade de Idbil também foram registrados.

Deraa. Segundo a oposição, bombardeios indiscriminados tiveram início depois da oração do fim do dia, na sexta-feira, e se estenderam para zonas próximas a Deraa, como Ebtaa e Herak.

O Observatório Sírio de Direitos Humanos, movimento opositor com sede na Europa, denunciou em comunicado o grande número de mulheres e crianças entre as vítimas. Outro grupo opositor, a Comissão-Geral da Revolução Síria, informou que oito dos mortos pertenciam a uma mesma família.

Testemunhas afirmaram que a situação médica na região é crítica. O material de primeiros socorros não é suficiente para tratar as dezenas de feridos, muitos dos quais são atendidos em improvisados hospitais de campanha levantados no interior das mesquitas.

Além disso, as forças de segurança detiveram alguns dos feridos e vários médicos, como uma maneira de evitar que as vítimas recebessem tratamento, denuncia o Observatório.

Deraa, cidade próxima à Jordânia, foi o ponto de partida da revolta, em março de 2011, e a primeira a sofrer a repressão das forças governamentais.

A violência política se intensificou na Síria desde o massacre de Hula, no dia 25, que causou a morte de pelo menos 108 pessoas - incluindo 47 crianças -, segundo relatos de observadores das Nações Unidas que estão no país para monitorar um cessar-fogo com o qual o regime e a oposição armada haviam se comprometido em abril, mas nunca foi cumprido.

No início da semana passada, um novo massacre, na região de Hama, teria deixado mais de 70 mortos entre civis.

O Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) anunciou ontem que 1,5 milhão de civis necessitam de ajuda humanitária na Síria, e qualificou a situação como "muito tensa" em razão dos combates. / REUTERS e EFE

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