Jorge Silva|Reuters
Jorge Silva|Reuters

Violência muda rotina em Caracas

Tiroteio entre gangues fez taxista passar ano-novo em casa

Ricardo Galhardo, ENVIADO ESPECIAL / CARACAS, O Estado de S.Paulo

11 Janeiro 2016 | 21h16

Neste réveillon o taxista Manuel Campero teve de desejar feliz ano-novo a parentes e amigos pelo telefone. Morador do bairro Urbanização Kennedy, na periferia de Caracas, Campero ficou sitiado em casa em razão de um tiroteio entre duas gangues rivais horas antes da passagem de ano.

“O barulho dos tiros durou a noite toda. No dia seguinte soubemos que morreram 17 pessoas. Tínhamos planejado uma ceia, mas ninguém se arriscou a sair de casa. Tivemos que nos desejar feliz ano-novo pelo telefone”, disse ele.

Com um ponto de táxi no mercado popular de Caracas, Campero ganha cerca de 25 mil bolívares (aproximadamente R$ 150) por mês. O carro que usa para trabalhar custou 6 mil bolívares (menos de R$ 40). “Trabalho para comer”, afirmou.

Segundo ele, a violência está atrelada à crise econômica. “Vivemos a maior crise de segurança de nossa história em razão de um modelo totalmente equivocado”, disse o deputado oposicionista Simon Calzadilla.

Em 2014, 5.258 deram entrada no necrotério de Bello Monte,em Caracas. Em 2015, foram 5.059, mas se estima que o número real de homicídios seja muito maior.

Em 2013, Caracas foi a segunda cidade mais violenta da América Latina, atrás apenas de San Pedro Sula, em Honduras, com 134 homicídios para cada mil habitantes. Maceió, a cidade brasileira com índice mais alto no ranking, teve média de 79 assassinatos para cada mil. / R.G.

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