Violência na Síria fez 4,3 mil civis fugirem para Turquia

EUA e ONU condenaram forma violenta como o governo sírio está contendo protestos

BBC Brasil, BBC

11 de junho de 2011 | 07h48

 

Mais de 4,3 mil civis sírios fugiram para o norte do país e atravessaram a fronteira com a Turquia para escapar dos conflitos violentos entre manifestantes e forças do governo. As autoridades turcas disseram neste sábado que os números podem ser ainda maiores, já que muitas pessoas não foram registradas na fronteira.

 

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Halit Cevik, do ministério das Relações Exteriores da Turquia, disse que por enquanto o país está conseguindo lidar com a situação, mas que as autoridades podem vir a precisar de ajuda internacional, caso o conflito na Síria se agrave.

A Turquia não considera os sírios que fugiram como "refugiados", já que eles não pediram para ficar no país, e estão apenas esperando a violência acabar para voltar para a Síria. Manifestantes da oposição afirmam que pelo menos 32 pessoas foram mortas na sexta-feira em novos confrontos entre opositores e forças do governo.

A violência começou quando as forças do governo entraram na cidade vizinha de Jisr Al-Shughour, onde o governo afirma que mais de 120 militares foram mortos por rebeldes nesta semana.

Na sexta-feira, os Estados Unidos e as Nações Unidas condenaram a forma violenta como o governo sírio vem reagindo aos protestos contra o regime do país. A Casa Branca disse, através de um pronunciamento do porta-voz Jay Carney, que o governo da Síria está seguindo "um caminho perigoso" e pediu "o fim imediato da brutalidade e da violência". O governo americano classificou os atos na Síria de "revoltantes".

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, disse que o uso de força militar para conter protestos na Síria é "inaceitável". Um porta-voz do secretário disse que Ban tentou conversar com o presidente sírio, Bashar al-Assad, mas que o governo vem reiterando que o líder não está "disponível".

Ataque aéreo

A Síria vem impedindo que jornalistas internacionais cubram os protestos no país, o que dificulta o trabalho de checagem das informações divulgadas por manifestantes e pelo governo.

Manifestantes afirmaram que o pior ataque ocorreu na cidade de Maarat Al-Numan, no norte da Síria, quando tanques abriram fogo contra a multidão, matando e ferindo diversas pessoas que participavam do protesto. A TV estatal síria divulgou que grupos armados atacaram delegacias da cidade.

Segundo os ativistas, 11 pessoas morreram na província de Idlib, a maioria na cidade de Maarat Al-Numan, onde helicópteros teriam sido usados para atacar os manifestantes. Se confirmado, será o primeiro ataque aéreo desde que começou a onda de protestos no país, há três meses.

Turquia

Sexta-feira foi um dia de manifestações contra o regime de Assad em diversas partes do país, após o período de orações. Desde março, protestos em massa contra o presidente sírio, Bashar Al-Assad, se tornaram comuns após as orações de sexta-feira.

Manifestantes foram mortos em pelo menos três lugares: na cidade costeira de Latakia, na província de Deraa, no sul, e em Qaboun, próximo da capital Damasco. Em entrevista à TV da Turquia, o premiê turco, Recep Tayyip Erdogan, condenou a repressão do governo sírio e disse que as ações militares são "desumanas". A Turquia tem sido o destino imediato de sírios que tentam fugir do conflito.

Erdogan disse que discutiu o assunto recentemente com o presidente sírio, Bashar Al-Assad, mas alegou que a receptividade do vizinho foi "inadequada".

Grupos de ajuda humanitária afirmam que mais de 1,3 mil pessoas - a maioria, civis desarmados - já morreram durante protestos contra o governo. O governo refuta e diz que 500 membros das forças de segurança foram mortos.

O Comitê Internacional da Cruz Vermelha pediu acesso imediato à população afetada pela violência e também aos detidos e feridos. Por ora, a entidade montou um campo na Turquia capaz de abrigar cinco mil pessoas.

 

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