Violência na Síria pode ser crime contra humanidade

As forças de segurança sírias podem ter cometido crimes contra a humanidade ao realizarem execuções sumárias, torturar prisioneiros e atacar crianças durante a repressão contra manifestantes opositores, diz relatório divulgado nesta quinta-feira pelo Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos.

AE, Agência Estado

18 de agosto de 2011 | 15h10

O documento recomenda que o Conselho de Segurança encaminhe a Síria ao Tribunal Penal Internacional para que as autoridades do país sejam processadas pela atrocidades, medida que deve ser discutida pelo conselho em sessão a portas fechadas ainda nesta quinta-feira em Nova York.

"A missão descobriu um padrão de violações de direitos humanos que constitui em ataques amplos e sistemáticos contra a população civil, que representam crimes contra a humanidade", disseram os investigadores no relatório de 22 páginas.

Crimes contra a humanidade são considerados os mais sérios de todas as violações dos direitos humanos, perdendo apenas para o genocídio.

Dentre as atrocidades mencionadas no relatório estão a suposta execução de 26 homens vendados num estádio de futebol na cidade de Deraa, sul do país, em 1º de maio; disparos indiscriminados com munição de verdade feitos por francoatiradores e helicópteros contra manifestantes pacíficos, resultando na morte de centenas de pessoas, dentre elas mulheres e crianças; e o assassinato de manifestantes feridos em hospitais, alguns dos quais foram aprisionados vivos em geladeiras de necrotérios.

O grupo da ONU, liderado pelo alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Kyung-wha Kang, teve acesso negado à Síria, mas realizou entrevistas entre 15 de março e 15 de julho com testemunhas na região, dentre elas manifestantes e ex-integrantes das forças de segurança que desertaram e fugiram do país.

Nesta quinta-feira, o presidente da Síria, Bashar Assad, disse ao secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, que as operações militares em seu país foram encerradas, embora ativistas tenham afirmado que as forças de segurança mataram 18 pessoas em todo o país. As informações são da Associated Press.

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