Violência no Iraque deixou 111 mortos neste domingo

Em um domingo no qual a violência sectária entre xiitas e sunitas provocou pelo menos 111 mortes em todo o Iraque, o ataque mais cruel aconteceu em Hilla, cerca de cem quilômetros ao sul de Bagdá. Prometendo empregos, um homem atraiu dezenas de operários para o local onde sua van estava estacionada. Em seguida, explodiu o veículo, matando ao menos 22 pessoas e deixando mais de 50 feridas. Um grupo sunita assumiu a autoria do ataque, alegando que foi uma retaliação a um seqüestro em massa ocorrido na terça-feira em Bagdá. Na ocasião, dezenas de iraquianos foram capturados no Ministério de Educação Superior, que é comandado por um político sunita. Há suspeitas de que os seqüestradores pertenciam a uma milícia xiita. Seqüestro do vice-ministro da Educação O domingo foi marcado também pelo seqüestro de Ammar al-Saffar, vice-ministro da Educação do partido do governo xiita do primeiro-ministro Nuri al-Maliki. Saffar foi capturado por homens armados vestindo uniforme camuflados. É o terceiro seqüestro em uma semana realizado por homens fardados. O seqüestro do ministro ocorreu um dia depois do assassinato de outro importante xiita: Ali al-Adhadh, líder do Conselho Supremo da Revolução Islâmica. Ao todo, pelo menos 111 pessoas morreram hoje em todo o Iraque entre episódios de violência e a descoberta de cadáveres com sinais de tortura e execução. As mortes ocorrem no âmbito do agravamento de um conflito sectário entre árabes xiitas e Sunitas. Enquanto isso, mais de 200 pessoas foram presas hoje na região de Basra, suspeitas de participação no seqüestros dos civis estrangeiros - quatro americanos e um austríaco - na quinta-feira. Eles trabalhavam para uma empresa de segurança com sede no Kuwait e seguiam para uma base militar em Nassíria. Reféns continuam sem contato Apesar das prisões e da ampla operação militar na região feita por americanos e britânicos, nenhum refém foi recuperado até a noite de hoje. O grupo xiita Batalhão Islâmico dos Mujahedin assumiu a autoria da ação, mas sem dar provas de que os reféns estariam vivos. Outro seqüestrado foi identificado hoje: Jonathan Cote, de Nova York. Há dois dias, os EUA revelaram que Paul Reuben estava entre os reféns. O ministro do Exterior da Síria, Walid al-Moualem, chegou ontem a Bagdá. É a mais importante autoridade síria a visitar o país, desde a invasão americana, em março de 2003. O país vem sendo acusado de fazer pouco para barrar a entrada de insurgentes no Iraque por meio de suas fronteiras. O senador republicano John McCain, pré-candidato nas eleições presidenciais de 2008, disse hoje que os EUA deveriam enviar mais um número "considerável" de tropas ao Iraque para evitar ataques extremistas em solo americano.

Agencia Estado,

19 Novembro 2006 | 21h30

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