Violência pode frustrar formação de governo de coalizão no Iraque

A escalada de violência provocada pela destruição parcial de uma das principais mesquitas xiitas do Iraque, em Samara, ganhou força nesta quinta-feira, deixando centenas de pessoas mortas em confrontos entre muçulmanos xiitas e sunitas. Líderes do maior partido de origem sunita do país recusaram um convite do presidente iraquiano para continuar conversações para formar um governo de união nacional entre xiitas, sunitas e curdos.No começo da noite desta quinta-feira, 47 corpos foram encontrados em uma vala próximo à província de Diyala, aumentando para cerca de 130 o saldo de mortos no conflito. Para o presidente iraquiano, Jalal Talabani, o país está a beira de uma guerra civil. Os corpos de três jornalistas da rede de TV Al-Arabiya também foram encontrados nas imediações de Samara. A emissora é vista como pró-EUA pelos iraquianos.De acordo com associação de clérigos sunitas iraquianos, 168 mesquitas sunitas foram alvos de atentados por militantes xiitas desde as explosões da manhã de quarta-feira em Samara. Ainda segundo a associação, dez imã foram mortos e 15 seqüestrados.Um porta-voz do grupo culpou o principal clérigo xiita do país, o Aiatolá Ali al-Sistani, pela violência, atribuindo a ele a responsabilidade pelas manifestações e ataques contra as mesquitas xiitas.O ministro do Interior iraquiano, no entanto, disse que só poderia confirmar os números relativos à cidade de Bagdá, onde, segundo ele, 19 mesquitas foram atacadas e um clérigo foi assassinado e outro seqüestrado.A violência sectária ameaça sabotar os planos dos EUA de formar um governo de união nacional com representantes de todas as facções, incluindo árabes sunitas, principais responsáveis pela insurgência iraquiana.O presidente Jalal Talabani, que é curdo, convocou líderes políticos para um encontro nesta quinta-feira, mas o maior partido sunita iraquiano se recusou a atender ao apelo, citando os ataques às mesquitas sunitas. "É ilógico negociarmos com partidos que estão tentando danificar o processo político", disse um dos líderes do grupo.Para os líderes que participaram da reunião, no entanto, a melhor maneira de responder aos ataques de quarta-feira é através da formação de um governo de coalizão. Segundo Talabani, a principal tarefa do novo governo "será colocar a situação da segurança sob controle e lutar contra o terrorismo".Enquanto o país parece caminhar para uma guerra sectária, o governo iraquiano implementou um toque de recolher em Bagdá e na província de Salaheddin por dois dias. Todas as folgas de soldados e policiais iraquianos foram canceladas.Dezenove pessoas, 11 delas civis, morreram em dois atentados a bomba no norte de Bagdá que parecem não estar relacionados aos confrontos de origem sectária. O exército americano informou que quatro soldados foram mortos quando o veículo em que eles estavam passou sobre uma mina perto de Hawijah.O chanceler britânico, Jack Straw, disse nesta quinta-feira que ele suspeita que um grupo ligado à Al-Qaeda no Iraque, liderado por Abu Musab al-Zarqawi, foi o responsável pela explosão na mesquita de Samara.O primeiro-ministro Tony Blair disse que o ataque foi "um ato desesperado e profano."

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