Violência pode voltar ao Sudão após referendo

Com o fim da votação, tendência é que mais sudaneses do sul retornem à região, aumentando as chances de novos conflitos no país recém-criado

Guilherme Russo, O Estado de S.Paulo

16 de janeiro de 2011 | 00h00

O fim do referendo sobre a independência do Sudão do Sul, que terminou ontem, traz expectativas de mais violência, principalmente em Abyei, região rica em petróleo, que registra inúmeros conflitos tribais. Durante a votação, pelo menos dois confrontos foram noticiados. Observadores atribuem a causa da violência recente à migração de sudaneses do sul, que retornavam às cidades de origem para votar.

Com a independência decretada, porém, esse fluxo tende a aumentar. E, com ele, os conflitos. Para prevenir, a organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) está aumentando o número de médicos e enfermeiros em sua unidade de Agok, 40 quilômetros ao sul de Abyei, segundo informou ao Estado o chefe da missão da ONG no sul do Sudão, Emmanuel Roussier.

"Tensões entre diferentes tribos intensificaram-se, principalmente depois que a migração começou a aumentar", afirmou desde Juba, cidade que abrigará a capital do novo país. De acordo com o MSF, dezenas de milhares de sudaneses do sul retornaram tanto do norte quanto do exterior por causa do referendo.

As informações sobre os últimos confrontos são desencontradas. Na semana passada, após um suposto ataque da tribo misseryia - muçulmanos que disputam o direito de criar gado em Abyei - a um vilarejo da região, foram anunciadas as mortes de 20 policiais e 10 militantes. Em um outro conflito, um ônibus de sudaneses do sul foi atacado - 10 pessoas morreram e 18 ficaram feridas.

Roussier contou que nove adultos atingidos por disparos receberam socorro em Agok. Um deles morreu no hospital, ferido no abdômen. A ONU anunciou um reforço de tropas na região depois dos confrontos.

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