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Violência policial desata onda de protestos em periferia de Paris

Uma década depois de ter se levantado contra a violência policial, jovens do município de Aulnay-sous-Bois estão mais uma vez enfrentando as forças de ordem em razão de um caso de abuso de autoridade

Andrei Netto, Correspondente / Paris , O Estado de S. Paulo

07 Fevereiro 2017 | 20h00

Uma década depois de ter se levantado contra a violência policial, jovens do município de Aulnay-sous-Bois, na periferia de Paris, estão mais uma vez enfrentando as forças de ordem em razão de um caso de abuso de autoridade. A revolta foi provocada pela violência sexual cometida por quatro policiais contra um jovem negro, Théo, que além de ter sido espancado foi violado em plena rua com o cassetete por um dos agentes que o prendia. 

A cena, filmada por uma câmera do circuito de vigilância, chocou a opinião pública da França e provocou a suspensão e a prisão temporária imediata dos envolvidos. Mas ainda assim a insatisfação continua. Na noite de segunda-feira e na madrugada desta terça-feira, 7, 26 pessoas foram presas acusadas de participar de novo distúrbio, com a depredação de lojas e a queima de automóveis. A situação lembra as revoltas na periferia iniciadas na cidade vizinha de Clichy-sous-Bois em 2005, também causadas por violência policial, que detonaram um mês de protestos nas periferias, com réplicas em 2006 e 2007.

Os manifestantes de Aulnay-sous-Bois denunciam a violência sistemática e a discriminação da polícia em relação às populações de baixa renda da região. A insatisfação tem como ponto central a Cité des 3000, um condomínio residencial para populações carentes.

Nesse bairro, o jovem Théo, de 22 anos, foi preso por quatro policiais na quinta-feira. Um vídeo mostra a vítima no chão sendo espancada pelos agentes. Théo foi internado com lesões na região retal. O agente foi suspenso e denunciado e será julgado pela Justiça por violência sexual, enquanto seus três cúmplices responderão a processo por formação de quadrilha. 

Nesta terça-feira, Théo deu a primeira entrevista sobre os acontecimentos. Falando por telefone do hospital para uma equipe da rede BFM TV, o jovem descreveu a violência que sofreu. Segundo ele, os policiais abordaram um grupo de moradores e iniciaram uma revista em um local em que não havia câmera de vigilância. Aos poucos, Théo tentou se aproximar da zona coberta pelas imagens do circuito.

Em meio à revista, o jovem foi colocado de joelhos e de frente para uma parede. “Ele empurrou o cassetete contra minhas nádegas. Caí, sem força para me levantar”, contou. Théo foi então espancado no veículo policial e levado para uma delegacia. Lá, em razão do sangramento e de seu estado de saúde, foi levado para um hospital. Em meio à abordagem, o jovem disse ter sido chamado de “negro” e de “vagabunda” e recebeu cuspidas.

Depois da entrevista o jovem recebeu a visita do presidente da França, François Hollande, que garantiu que a Justiça vai funcionar, “até mesmo para as forças de ordem”. “A Justiça garante as liberdades e os cidadãos devem saber que o juiz os protege”, reiterou o chefe de Estado. 

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