Violência política provoca novo êxodo no Quênia

Após nova onda de confrontos, presidente promete aproximação com rivais para solucionar impasse no país

Associated Press e Reuters,

09 de janeiro de 2008 | 13h26

Mais refugiados deixaram nesta quarta-feira, 9, do oeste do Quênia depois de uma nova erupção da violência política, mas o presidente Mwai Kibaki disse que não há motivo para pânico e insistiu que permanecerá no poder apesar das acusações de que fraudou as últimas eleições de 27 de dezembro. Mais de 500 pessoas já foram mortas na violência política e étnicas desde as eleições e centenas de milhares tiveram de fugir de suas casas.   Kibaki, prometeu nesta quarta-feira se aproximar de líderes rivais para ajudar a encontrar uma solução para a crise política. Kibaki disse ao chefe da União Africana (UA), John Kufuor, que deu início a um processo de diálogo com outros líderes quenianos, informou seu gabinete em nota, após a reunião.   Na terça-feira, foi anunciada a composição do novo governo, que não inclui nenhum representante do partido de Raila Odinga, o opositor de Kibaki que alega ter ganho a eleição. À noite, a polícia abriu fogo contra jovens manifestantes em Kisumu, principal cidade do oeste e bastião de Odinga. Um homem foi atingido no estômago, de acordo com uma testemunha no local.   Nesta quarta, o presidente Mwai Kibaki fez sua primeira visita a um local de confrontos e falou para mais de mil pessoas, a maioria teve suas casas incendiadas e foi perseguida por multidões armadas com pedras, machetes, arcos e flechas.   "Não tenham medo. O governo vai proteger vocês. Ninguém vai ser expulso de onde mora", garantiu Kibaki em uma escola transformada em campo de refugiados, na comunidade de Burnt Forest. "As pessoas que incitaram a população e causaram esta confusão serão julgadas". Sobre a eleição, ele disse que "acabou e qualquer um que pense que pode mudar os resultados que saiba que não é possível e nunca será".   A oposição diz que Kibaki recorreu a fraudes, observadores internacionais dizem que houve falsificação e mesmo o chefe de campanha de Kibaki admite não saber quem ganhou. Em algumas áreas a disputa política se transformou em violência étnica com outras tribos combatendo a kikuyu, de Kibaki, que domina a política e economia do país. Diplomatas tentavam promover um encontro entre os dois rivais, mas não se sabe se o aumento dos conflitos iria forçar um compromisso ou aumentar a raiva e as manifestações.   O enviado da União Africana, o presidente de Gana John Kufour, e mais quatro ex-chefes de Estados africanos encontraram os dois rivais, pedindo um acordo político.

Tudo o que sabemos sobre:
Quêniacrise política

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.