Sunday Alamba/AP
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Violência pós-eleitoral mata 121 pessoas no norte da Nigéria

Partido de candidato derrotado rejeita resultados das eleições alegando que houve manipulação

Efe,

20 de abril de 2011 | 08h42

LAGOS - Os distúrbios que explodiram no norte da Nigéria em protesto aos resultados das eleições presidenciais de sábado mataram 121 pessoas, deixaram centenas de pessoas feridas e 15 mil tiveram de abandonar suas casas, informou nesta quarta-feira, 20, um jornal local.

 

O candidato cuja derrota gerou a violência, o general do Exército aposentado Muhammadu Buhari, condenou a violência na noite de ontem, 19. "Tenho de dizer que são fatos ruins que não foram iniciados por nossos seguidores e, portanto, não podem ser apoiados por nosso partido", disse em um comunicado, divulgado pelo porta-voz Yinka Odumakin.

 

"Trata-se de uma questão nitidamente política que não se deve transformar, de nenhuma maneira, em assunto étnico, confessional ou regional", disse. Buhari, muçulmano do norte do país, perdeu o pleito para Goodluck Jonathan, que se reelegeu.

 

O partido de Buhari, o Congresso pela Mudança Progressista (CPC), tem amplo apoio no norte da Nigéria. Jonathan, por sua vez, um sulista da minoria cristã do país.

 

O candidato do CPC recebeu 12 milhões de votos, frente aos 22,4 milhões de votos de Jonathan. O partido derrotado rejeitou os resultados, alegando que houve manipulação em algumas regiões eleitorais.

 

Conflitos

 

Os distúrbios contra os resultados começaram no domingo nos estados de Bauchi e Gombe, e se estenderam rapidamente para outros estados no norte, como Kaduna, Kano, Sokoto, Katsina, Adamwa e Nasarawa, onde já duram três dias.

 

A Direção Nacional de Gestão de Emergências, a Polícia e outros órgãos do Estado não divulgaram o número de mortos ou feridos nos distúrbios no norte, já que temem represálias no sul. No entanto, um jornal do norte informou hoje que os mortos na violência somam 121 e os feridos chegam a centenas.

 

O periódico acrescentou que 15 mil pessoas fugiram de suas casas e muitas buscaram refúgio em delegacias da polícia e quarteis das forças armadas. O maior número de vítimas ocorreu no estado de Kaduna, ao menos 50 pessoas. Pelo menos 30 morreram no estado de Kano e 17 em Gombe. Há relatos de 16 mortos em Bauchi e oito em Katsina.

 

Os manifestantes, principalmente jovens que carregavam paus, atacaram as pessoas que eles suspeitavam serem simpatizantes do governante Partido Democrático Popular, de Jonathan.

 

Em Kaduna, o hospital Saint Gerald's relatou a chegada de 20 corpos, enquanto 400 pacientes foram atendidos com ferimentos.

 

Muitos prédios foram incendiados durante os confrontos no estado de Kaduna, entre eles a residência particular do vice-presidente, Namadi Sambo.

 

Em Bauchi, o comissário da polícia, John Abakasanga, informou que foi incendiada a sede do Departamento Eleitoral Nacional Independente.

 

A maior parte dos estados da Nigéria segue em toque de recolher. O presidente Jonathan expressou seu "grande pesar" diante da violência e apelou aos envolvidos colocarem fim a "este comportamento desnecessário e evitável".

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