Violência pós-eleitoral mata 50 na Costa do Marfim

A violência pós-eleitoral na Costa do Marfim deixou mais de 50 mortos e 200 feridos em apenas três dias, denunciou neste domingo a alta comissária para direitos humanos da Organização das Nações Unidas (ONU), Navi Pillay.

Agência Estado

19 de dezembro de 2010 | 19h47

Ela deplorou ainda as "violações em massa dos direitos humanos" no país africano e prometeu buscar meios de "assegurar que os perpetradores sejam responsabilizados por suas ações".

A afirmação da alta comissária da ONU foi feita horas depois de a entidade ter rejeitado uma exigência do presidente da Costa do Marfim, Laurent Gbagbo, para que sua missão de paz fizesse as malas e fosse embora do país.

Segundo Navi, "mais de 50 pessoas foram mortas e mais de 200 ficaram feridas nos últimos três dias" na Costa do Marfim. Tanto Gbagbo quanto seu rival Alassane Ouattara afirmam ter vencido o segundo turno das eleições presidenciais realizadas no mês passado. A comunidade internacional reconhece o opositor como vitorioso, ao passo que Gbagbo busca meios de manter-se no poder.

Na última quinta-feira, a tensão resultante do impasse culminou em violência em Abidjã, capital comercial do maior produtor de cacau do mundo, durante um protesto de simpatizantes de Ouattara. Ao mesmo tempo, as forças armadas de Gbagbo e a missão de paz da ONU vivem um momento tenso.

Na noite de ontem, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, afirmou que a missão de paz da entidade na Costa do Marfim cumprirá seu mandato e alertou contra ataques depois de Gbagbo ter ordenado que o contingente de cerca de 10.000 soldados da ONU deixe o país imediatamente.

Em um comunicado divulgado por intermédio de seu porta-voz, Ban Ki-moon disse estar ciente das exigências feitas ontem por Gbabgo, que pediu a retirada de todas as tropas que participam da operação da ONU na Costa do Marfim, conhecida como UNOCI.

"A UNOCI cumprirá seu mandato e continuará monitorando e documentando quaisquer violações dos direitos humanos, ou ataques contra soldados da ONU", informou o documento depois de seis homens mascarados abrirem fogo contra uma base da ONU no país. Ninguém ficou ferido no ataque.

O secretário-geral disse estar "profundamente preocupado" com a violência contra integrantes da organização na Costa do Marfim.

O Conselho de Segurança da ONU deve se reunir na segunda-feira para discutir a situação na Costa do Marfim e a renovação do mandato da UNOCI, que expira em 31 de dezembro.

A porta-voz de Laurent Gbagbo alegou ontem na emissora de TV estatal que a missão das Nações Unidas não atuou de forma neutra na disputa eleitoral e acusou-a de armar as forças rebeldes que apoiam o candidato da oposição, Alassane Ouattara.

"O Estado da Costa do Marfim considera que a UNOCI cometeu uma falta grave, o que indubitavelmente prova que é um agente de desestabilização para dividir ainda mais o povo marfinense", afirmou ela.

A ONU certificou os resultados que apontaram Ouattara como o vencedor das eleições presidenciais de 28 de novembro por "uma margem irrefutável."

A organização foi convidada pela própria Costa do Marfim para supervisionar e atestar o resultado da votação depois de um acordo de paz que sucedeu uma guerra civil entre 2002 e 2003. As informações são da Associated Press e da Dow Jones.

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