Violência prossegue após retirada israelense de Belém

Agentes secretos israelenses mataram a tiros o irmão de um líder radical palestino, um dos incidentes que marcaram o primeiro dia de um período de testes visando a abrir caminho para uma trégua, depois de quase dois anos de confrontos. A polícia palestina patrulhou hoje, pela primeira vez em mais de dois meses, a cidade de Belém, Cisjordânia, depois que Israel retirou suas tropas. Pelo acordo, Israel também colocará a Faixa de Gaza sob a responsabilidade da segurança palestina e prometeu dar novos passos para aliviar as restrições à população dos territórios ocupados, caso a violência cesse. Entretanto, os dois lados provocaram incidentes violentos durante todo o dia. Em Ramallah, forças especiais israelenses, disfarçadas de árabes, mataram a tiros Mohammed Saadat, irmão de Ahmed Saadat, líder da Frente Popular para a Libertação da Palestina (FPLP). Minutos depois de os soldados invadirem sua casa, o corpo de Mohammed, crivado de balas, estava jogado atrás da casa. Vizinhos e parentes revoltados gritavam e jogavam pedras nos israelenses, que fizeram disparos de fuzil para o ar, a fim de dispersar a multidão. Num comunicado, o Exército israelense afirmou que pretendia prender Mohammed, mas ele atirou contra os soldados, ferindo dois deles, e acabou sendo morto por um outro militar. Segundo o comunicado, Mohammed era um "membro ativo" da FPLP. Ahmed Saadat está sob custódia palestina desde 1º de maio, como parte de um acordo que pôs fim a um cerco de 34 dias ao quartel-general, em Ramallah, do líder palestino Yasser Arafat. Israel o acusa de ter planejado a morte do ministro do Turismo israelense Rehavam Zeevi em 17 de outubro, em retaliação ao assassinato do antecessor de Ahmed, Mustafa Zibri, em 27 de julho de 2001. O chefe de segurança palestino na Cisjordânia, Zuhair Manasra, advertiu à tevê israelense: "A continuação dos assassinatos israelenses provocará o colapso do acordo" para restaurar a calma na região. Os palestinos em Belém se aventuraram hoje às ruas pela primeira vez desde junho, sem a vigilância dos soldados israelenses. De mãos dadas com sua filha Suad, de sete anos, Ali Faraj, 32 anos, passava pelas lojas, algumas abertas pela primeira vez em semanas. "É lindo poder sair e voltar sem se preocupar se o toque de recolher foi levantado", disse. Durante os dois meses de ocupação de Belém, soldados israelenses impuseram um toque de recolher na maior parte do tempo, confinando pessoas às suas casas, e suspendendo-o por poucas horas de tempos em tempos, a fim de permitir que os moradores comprassem comida. Seis das outras oito principais cidades palestinas na Cisjordânia ainda estão sob ocupação israelense, depois de uma grande invasão, em meados de junho, que se seguiu a uma série de ataques suicidas a bomba em Jerusalém. Os israelenses anunciaram que, caso a segurança palestina impeça atentados em Belém e Gaza, o Estado de Israel irá aliviar as restrições em outras partes da Cisjordânia. Entretanto, em Gaza, um franco-atirador palestino matou a tiros um soldados israelense numa posição fortificada, guardando um assentamento judeu, e mais tarde um palestino de 15 anos foi morto a tiros por soldados de Israel na mesma área, depois que o Israel enviou helicópteros para caçar o franco-atirador. Na Cisjordânia, forças israelenses invadiram um campo de refugiados nas proximidades da cidade de Tulkarem, matando um atirador numa troca de tiros. Afirmando que havia uma "infra-estrutura" terrorista no campo, os militares israelenses disseram ter capturado 15 palestinos no campo e na cidade. Treze palestinos foram presos em outras partes da Cisjordânia, acrescentaram. O grupo radical islâmico palestino Hamas anunciou num comunicado, assumindo responsabilidade pelo assassinato do soldado israelense, que irá torpedear qualquer trégua. "A segurança que os sionistas estão buscando através do plano ´Gaza primeiro´ não será alcançada", garantiram.

Agencia Estado,

20 Agosto 2002 | 17h24

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