Violência prossegue durante estado de emergência no Peru

A declaração do estado de emergência no Peru na quarta-feira, longe de acalmar os ânimos, exacerbou o mal-estar dos trabalhadores e da população. Hoje houve 95 detenções, pelo menos uma morte e dezenas de feridos em violentos confrontos entre as forças da ordem e manifestantes. Um violento choque entre o exército e estudantes universitários em uma cidade do sul do Peru deixou pelo menos um morto e 36 civis feridos. O ministro da Defesa, Aurelio Loret de Mola, disse que o incidente ocorreu na cidade de Puno, 860 km a sudeste de Lima, quando uma turba de mais de 2.000 pessoas cercou uma patrulha do Exército composta por um oficial e oito soldados, que se viram obrigados a usar as armas em defesa própria. Um médico do hospital local falou em duas mortes, e uma deputada que representa a região disse que havia quatro vítimas fatais.O ministro informou ainda que um oficial e quatro suboficiais foram feridos. Segundo Loret de Mola, não houve abuso da força pelas autoridades. O ministro afirmou que os revoltosos usaram bombas incendiárias, barras de ferro, paus, pedras e facas para agredir as forças de segurança, e que entre a turba havia criminosos e pessoas gritando lemas do grupo subversivo Sendero Luminoso. Na cidade de Arequipa, 750 km a sudeste de Lima, professores saíram às ruas na manhã desta quinta-feira para protestar, mas forças militares e da polícia os desalojaram com bombas de gás lacrimogêneo e jatos d´água, segundo mostraram imagens da televisão. Outro foco de violência foi a cidade de Barranca, 160 km a nordeste de Lima, onde durante esta madrugada grupos de manifestantes tentaram novamente obstruir as ruas, mas foram repelidos pela polícia, num episódio que deixou 24 feridos. Em pelo menos 10 cidades peruanas como Piura, Chiclayo, Trujillo e Cajamarca, os professores tiveram de ser reprimidos com gás lacrimogêneo, enquanto as escolas públicas continuavam fechadas.

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