Violência prossegue em Budapeste; 57 feridos

Pela segunda noite consecutiva, a capital húngara foi cenário de violentas manifestações pedindo a renúncia do premier Ferenc Gyurcsany, do Partido Socialista, acusado de corrupção e abuso de poder. Confrontos entre manifestantes e forças policiais deixaram 57 pessoas feridas, quatro delas com gravidade, segundo fontes policiais. Cerca de 500 manifestantes quebraram vitrines e incendiaram automóveis no centro da cidade. A polícia tentou dispersar a manifestação com gás lacrimogêneo e jatos de água. O ministro da Defesa, Imre Szekeres, declarou à emissora TV2 que "não é mais um assunto político, mas um caso criminal". A polícia deteve 50 pessoas. Inicialmente, cerca de 10 mil pessoas se manifestaram pacificamente diante do Parlamento na noite de terça-feira. Pouco depois da meia-noite, no entanto, um grupo abandonou a praça e se dirigiu à sede do Partido Socialista (MSZP, governante) e do edifício da rádio pública. Os policiais evacuaram os arredores da rádio como medida preventiva. Em seguida, os manifestantes se deslocaram para a sede do MSZP, na praça Koztarsasag, também cercada pela polícia. Na avenida Rakoczi, próxima à praça Blaha Lujza, os manifestantes atiraram pedras e garrafas, quebrando vitrines além de destruirparte das instalações urbanas. Eles arrancaram pedaços de pedras da fachada de um prédio e os utilizaram para atacar os policiais. Os manifestantes também incendiaram um carro da polícia. Latas de lixo e outros objetos foram usados em barricadas improvisadas. Os confrontos se estenderam até as 3h45 (22h45 de terça-feira, em Brasília). Os protestos contra o governo social-democrata começaram após o vazamento de uma gravação na qual o primeiro-ministro Ferenc Gyurcsany admitiu ter mentido aos eleitores sobre a situação econômica do país para ganhar as eleições de abril.São os maiores protestos na Hungria desde o fim do regime comunista, em 1989. Gyurcsany venceu a eleição prometendo corte de impostos. Depois de eleito, contudo, fez justamente o contrário, além de cortar benefícios de saúde e educação. Apesar dos protestos, o primeiro-ministroinsiste em permanecer no cargo.

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