Violência racial deixa pelo menos 20 feridos

Numa das piores explosões de violência racial em anos na Grã-Bretanha, centenas de jovens jogaram tijolos e coquetéis molotov contra a tropa de choque numa cidade que tem sido palco de tensões étnicas. O secretário do Interior Jack Straw, responsável pela imposição da lei, disse que a situação era "séria, e tem de ser condenada sem reservas". Mais de 20 pessoas, entre elas 15 policiais, ficiaram feridas e 17 jovens foram presos em horas de confrontos que tiveram início na noite de sábado na cidade de Oldham, nos arredores da cidade nortista de Manchester. O distúrbios foram aparentemente provocados por uma gangue de jovens brancos que atacou a casa de um morador de uma vizinhanças onde a maioria é originária do Paquistão, Bangladesh e Índia, informou a polícia. Logo depois, um grupo de cerca de 100 jovens da vizinhança atacou um pub frequentado por brancos. No auge dos confrontos - que continuou intermitentemente por sete horas, até as primeiras horas de domingo -, cerca de 500 jovens promoveram uma verdadeira guerra campal com a polícia de choque. Os confrontos deixaram a principal rua no distrito de Glodwick coberta de pedaços de tijolos, estilhaços de vidros e carcaças de vários carros queimados. Paul Barrow, proprietário de um pub que foi danificado nos choques, disse que jovens invadiram seu estabelecimento e começaram a espancar seus clientes. Oldham, uma decadente antiga cidade industrial, tem sido acossada pela tensão racial por meses. Mais cedo este ano, num incidente que virou manchete nacional, um homem branco de 76 anos foi duramente espancado por uma gangue de jovens, num ataque racialmente motivado. Alarmado pela atmosfera volátil, o governo proibiu comícios políticos na cidade, mas um grupo direitista desafiou a proibição no começo deste mês, levando à prisão de dezenas de pessoas. A última violência ocorre menos de duas semanas antes da eleição geral na Grã-Bretanha. O governo do primeiro-ministro Tony Blair pediu aos políticos para evitarem declarações que possam inflamar a tensão racial. Patricia Hewitt, ministra da Indústria e Comércio, disse que as questões de imigração e de asilo político têm sido usadas para "incentivar" o preconceito racial. "Os políticos de todos os partidos devem ter a responsabilidade de não inflamarem os temores das pessoas ou incentivar o preconceito racial", afirmou ela num programa de televisão. No mesmo programa, Simon Hughes, do oposicionista Partido Liberal Democrata, acusou o Partido Conservador e seu líder, William Hague, de contribuirem para o clima de intolerância. Referindo-se à campanha conservadora para aumentar as restrições às pessoas que buscam asilo, Hughes disse: "Isto pode não ter tido um efeito direto, mas não ajuda, pode bem encorajar pessoas a pensarem que podem ficar impunes ao usar linguagem intolerante e atitudes intolerantes e algumas vezes comportamento intolerante." Hague rejeitou as acusações. "Trata-se de uma acusação feita por partidos tentando jogar eles a carta racial. A questão de asilo é algo inteiramente diferente da questão de raça", afirmou. Os conservadores, alegando que querem evitar pedidos ilegítimos de asilo, propõem que os reivindicantes de asilo sejam colocados em centros de detenção enquanto seus casos estão sendo estudados.

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