Violência reduz número de seções eleitorais

Comissão Eleitoral afirma que só haverá votação em distritos controlados por forças afegãs

Lourival Sant?Anna, O Estadao de S.Paulo

18 de agosto de 2009 | 00h00

A Comissão Eleitoral Independente do Afeganistão informou ontem que, na votação de quinta-feira, não haverá seções eleitorais que não puderem ser protegidas por soldados e policiais. Isto exclui não só os 8 dos 365 distritos eleitorais nos quais o Taleban impede a entrada da polícia e do Exército, mas a comissão também não aceitou que as seções fossem guardadas pelas milícias de áreas tribais na vasta região autônoma na fronteira entre Afeganistão e Paquistão, onde a Al-Qaeda e o Taleban têm livre trânsito."Tivemos uma discussão com as forças de segurança, que nos pediram que abríssemos seções eleitorais em áreas protegidas pelos líderes tribais", disse Zekreya Barekzai, porta-voz da comissão. "Nós não aceitamos. Dissemos que os líderes tribais deveriam primeiro oferecer segurança para a polícia. Onde não houver policiais nem soldados, não haverá seções eleitorais." A área tribal situa-se ao longo dos 2.640 quilômetros da Linha Durand, demarcação da porosa fronteira entre Afeganistão e Paquistão. É fruto de um acordo de 1893 entre o emir afegão Abdur Rahman Khan e o Império Britânico, cuja colônia, a Índia, incluía o atual Paquistão. O limite foi contestado por governos afegãos posteriores. Tecnicamente, cada lado da linha pertence ao respectivo país, mas as áreas tribais, na prática, são autogovernadas por "agências", cujas milícias atuam como polícia. A população é composta por 16 milhões da etnia pashtun e 4 milhões de baluques. Os pashtuns são maioria no Taleban, que usa parte dessas áreas como santuários, assim como seus aliados da Al-Qaeda. Raramente são importunados pelo Exército paquistanês, num misto de respeito à autonomia tribal e de apoio velado aos radicais.VIOLÊNCIASegundo Barekzai, há 17,5 milhões de títulos de eleitor no Afeganistão - em 2004 eram 12,5 milhões. Mas, como parte dos eleitores tem dois títulos, por ter migrado de província, ele estima que existam 15 milhões de pessoas habilitadas a votar. A Comissão prevê que 6.900 seções eleitorais sejam abertas na quinta-feira - em 2004 foram 6.200.O Taleban, que exerce influência sobre áreas do sul, do leste e do norte do país, tem realizado atentados e advertido os eleitores a não votar. Observadores da ONU previram um comparecimento de 30%. Mas Wadir Safi, professor de ciência política da Universidade de Cabul, estima que apenas 10% votem. "O dia da eleição será sangrento", disse. "O Taleban avisou que, em quase todas as províncias, haverá atentados à bomba. A maioria das pessoas não vai querer sacrificar a vida por um voto."Embora o problema da segurança seja o mais crítico da eleição, há também preocupação com a transparência e temores de distúrbios após o anúncio dos resultados. Barekazai disse que a primeira contagem parcial da eleição deve sair no dia 25.

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