Violência se agrava no Quênia; mais de 800 mortos

Multidões se enfrentaram comfacões nesta segunda-feira no vale do Rift, no oeste do Quênia,depois de várias mortes causadas pela violência étnica,enquanto o ex-secretário-geral da ONU Kofi Annan se esforçapara minimizar as tensões. Na habitualmente pacata Nakuru, no Rift, 64 corpos foramlevados ao necrotério local, todos de vítimas dos quatro diasde confrontos étnicos, disse um funcionário nesta segunda. Gangues de comunidades rivais lutam com facões, porretes eflechas em Nakuru e na vizinha Naivasha, localidades famosaspela biodiversidade de seus lagos. No pior incidente dos últimos dias, oito pessoas foramtrancadas em uma casa de Naivasha e queimadas vivas. Em um mês,já são mais de 800 mortos. A violência começou com os protestos da oposição contra umasuposta fraude na reeleição do presidente Mwai Kibaki, em 27 dedezembro. Desde então, porém, os distúrbios ganharam uma lógicaprópria, ligada a décadas de disputas fundiárias, desigualdadessociais e ao legado do colonialismo britânico. "Está muito perigoso agora. Parece haver uma mão muito maisorganizadora por trás de todos os lados", disse o ministrobritânico para a África, Mark Malloch Brown, à BBC, durantevisita ao Quênia. "Este país está ferido. A economia está emqueda." Esta é uma das piores crises no Quênia desde aindependência, em 1963. Já há 250 mil refugiados, e milhares deoutras pessoas estão fugindo do caos em Naivasha e Nakuru. Também na segunda-feira, em Kisumu (reduto oposicionista dooeste do país) a polícia usou gás lacrimogêneo e fez disparospara o alto para dispersar milhares de pessoas que faziammanifestação contra mortes de membros da etnia luo no vale doRift. "Quase toda Kisumu está imersa em fumaça", disse omoto-taxista Eric Odhiambo. "As pessoas estão enlouquecidas comas mortes dos luos em Naivasha ontem, mas há desordeirosdemais." Moradores disseram que dois manifestantes foram mortos atiros. O ex-secretário-geral da Organização das Nações Unidas,Kofi Annan, visitou áreas afetadas pela violência no fim desemana e disse que a crise no Quênia vai muito além dasdisputas eleitorais. (Reportagem adicional de Wangui Kanina, Andrew Cawthorne,Daniel Wallis, Guled Mohamed, e Kate Kelland, em Londres)

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