Grant Hindsley/NYT
Grant Hindsley/NYT

Violência se amplia nos EUA e Trump critica ‘anarquistas’

Confrontos durante fim de semana são mais intensos em Seattle e Portland, no oeste do país, mas marchas críticas à violência policial e ao racismo ocorrem nas principais capitais

Redação, O Estado de S.Paulo

26 de julho de 2020 | 21h41

SEATTLE - Confrontos reiterados entre agentes federais e manifestantes em Portland levaram milhares de pessoas a marchar por cidades dos EUA no fim de semana, dando nova vida a protestos que haviam diminuído. O presidente Donald Trump reagiu com críticas à imprensa: “Eles querem que os americanos acreditem que são apenas alguns maravilhosos manifestantes, e não anarquistas de esquerda radical”, tuitou neste domingo, 26.

Um dos mais intensos confrontos aconteceu na noite de sábado em Seattle (madrugada de domingo no Brasil). Um dia de manifestações focadas na violência policial deixou um rastro de janelas quebradas e manifestantes atingidos por spray de pimenta nos olhos. Pelo menos 45 pessoas foram presas e manifestantes e policiais ficaram feridos. 

Cerca de 5 mil pessoas levavam cartazes onde se liam frases como “Federais, vão embora” e entoavam gritos de “Sem justiça, sem paz”. Também eram comuns os guarda-chuvas que se tornaram símbolo de protestos em Hong Kong.

Alguns grupos pararam em um centro de detenção juvenil e atearam fogo a vários trailers de construção, quebraram janelas de empresas próximas, incendiaram uma cafeteria e abriram um buraco de oito polegadas na parede do prédio da Delegacia Leste de Seattle, segundo a polícia.

Os agentes responderam disparando bombas de efeito moral e spray de pimenta e avançando contra a multidão, derrubando manifestantes. Uma das bombas feriu uma mulher. 

Em Austin, no Texas, um homem foi baleado e morto durante um protesto no centro da cidade. Em um vídeo da cena, manifestantes são vistos marchando através de um cruzamento quando um carro apita. Segundos depois, cinco tiros soam, seguidos por várias outras pancadas fortes. A vítima teria puxado um fuzil em meio à manifestação. 

Em Los Angeles, manifestantes entraram em conflito com a polícia em frente ao tribunal federal do centro da cidade. Vídeos mostram pessoas quebrando janelas e jogando garrafas de água contra os policiais. 

O tribunal federal de Portland tem sido palco de manifestações noturnas há semanas. No domingo de manhã, milhares participavam de marchas, marcando o 59.º dia consecutivo de protestos na cidade. Um grupo uniformizado de enfermeiras se juntou a um coletivo organizado de mães e pais usando capacetes, onde um destacamento de agentes federais – foco principal das recentes manifestações – foi montado.

Pouco depois das 13h, a polícia de Portland disse que o protesto havia se tornado um tumulto e ordenou que a multidão fosse embora. Agentes federais dispararam gás lacrimogêneo e deixaram o tribunal para expulsar os manifestantes. Os ativistas resistiram e bloquearam ruas. 

Um hotel da rede Marriott no centro de Portland foi fechado e os hóspedes tiveram que sair depois de, no sábado à noite, manifestantes cercarem o edifício por acharem que tropas federais enviadas por Trump estavam dormindo lá. Multidão empunhava cartazes com mensagens como “Sem mais brutalidade” e gritos pedindo que o hotel expulsasse os militares. O prédio foi pichado. O prefeito de Portland, o democrata Ted Wheeler, considerou os agentes “forças de ocupação”.

Bipasha Mukherjee, de 52 anos, de Kirkland, Washington, disse estar protestando nas ruas desde maio e que se preocupava ao ver táticas tão agressivas da polícia. “Este não é o país para o qual imigrei”, disse Mukherjee, que chegou da Índia há mais de 30 anos. “Parece que estamos nos tornando rapidamente um Estado fascista e policial.”

Michaud Savage, de Seattle, disse que os protestos foram direcionados tanto às autoridades locais quanto ao destacamento de oficiais federais. 

Carmen Best, a chefe de polícia de Seattle, disse que vários manifestantes também usavam violência. Alguns jogavam blocos de concreto de um telhado para a rua abaixo, afirmou. A fumaça da cafeteria incendiada chegou a apartamentos que precisaram ser esvaziado.

“Apoiamos a Primeira Emenda, com direito à liberdade de expressão e à reunião”, disse ela. 

“Mas o que vimos não foi pacífico. Não foi uma manifestação pacífica. Atos criminosos estavam ocorrendo por toda a cidade e muitas pessoas estavam em risco”.

Outras manifestações ocorreram no sábado em Nova York, Omaha, Nebraska e Oakland, Califórnia, entre outras cidades. Portland e Seattle, no entanto, tiveram demonstrações prolongadas. Manifestantes em certo momento ocuparam vários quarteirões do bairro de Capitol Hill e declararam uma zona autônoma. A polícia limpou a área. Os protestos foram desencadeados pela morte do segurança negro George Floyd, em 25 de maio. Com o joelho, um policial branco o asfixiou.

 

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