Violência sectária deixa ao menos 36 mortos no Iraque

Uma bomba explodiu em uma feira na parte xiita de Bagdá e um importante líder sunita escapou de uma tentativa de assassinato em mais um dia de numerosas mortes no Iraque. Segundo fontes oficiais, ao menos 36 pessoas morreram nesta quinta-feira no país. A explosão aconteceu durante um período de grande movimento em um mercado de vegetais no bairro de Zafaraniyah, no sul de Bagdá, matando ao menos oito pessoas e deixando 14 feridos. A polícia evacuou o local após encontrar uma segunda bomba. Cinco pessoas morreram depois que um outro artefato explodiu em um microônibus que atravessava o gueto xiita de Sadr City, no leste de Bagdá. O atentado deixou 10 feridos. Um quarto ataque a bomba foi realizado quando um comando das forças de segurança do Ministério do Interior iraquiano, dominado por xiitas, trafegava pela região majoritariamente sunita de Amariyah, no oeste da capital iraquiana, matando um soldado e ferindo três. Também nesta quinta-feira, um comboio do ministro da Defesa iraquiana, o sunita Saadoun al-Dlaimi, foi atacado em uma vizinhança no oeste de Bagdá. Seis dos guarda-costas do político foram levados para um hospital, onde um morreu em decorrência dos ferimentos. O ministro não estava no comboio no momento ataque. Catorze membros das forças de segurança iraquianas, entre policiais e soldados, também foram mortos em ataques contra pontos de revista e veículos militares nas regiões de Samara e Mossul. Tensão política Enquanto isso, no front político, uma ajuda ao primeiro-ministro provisório, Ibrahim al-Jaafari, frustrou os planos de líderes sunitas, curdos e seculares que se esforçam para vetar um novo mandato ao premier. O contra-ataque do primeiro ministro veio com o anúncio de que a União Xiita Iraquiana, coalizão de partidos de sustentação de Al-Jaafari, não mudará seu candidato. Líderes de partidos sunitas, curdos e secularistas ligados ao ex-primeiro-ministro Ayad Allawi pediram nesta quarta-feira a retirada da nominação de Al-Jaafari a um novo mandato. Os xiitas, que possuem 130 das 275 cadeiras do parlamento iraquiano, possuem votos suficientes para formar o governo, mas não o bastante para governar sem parceiros. Al-Jafari ganhou a nomeação após uma votação entre os parlamentares xiitas realizada em fevereiro, mas é acusado por líderes sunitas de não interferir na escalada de violência sectária que tomou o país na semana passada. Entretanto, para o porta-voz de Al-Jafari, Haider al-Ibadi, os críticos do primeiro-ministro estão tentando atrasar a formação de um novo governo. "Alguns políticos possuem diferenças pessoais com o premier", atacou Al-Iabadi. O movimento criou um novo obstáculo para os planos dos Estados Unidos de apoiar a formação de um governo de união no Iraque. Na semana passada, partidos sunitas vetaram as conversações entre as lideranças do parlamento em protesto aos ataques contra mesquitas sunitas em todo o país.

Agencia Estado,

02 Março 2006 | 15h02

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