Violência sectária deixa pelo menos 24 mortos no Paquistão

Uma rivalidade entre dois clérigos islâmicos iniciada com uma disputa pelas ondas de rádio resultou em episódios de violência insuflados pelas emissoras dos próprios líderes religiosos que deixaram pelo menos 24 pessoas mortas. O governo paquistanês ameaçou com "duras ações" se os milicianos tribais não se retirarem do local dos confrontos. Milhares de soldados estão em alerta na região noroeste do Paquistão. A violência nessa região, perto da fronteira com o Afeganistão, voltou a alimentar dúvidas sobre o controle do governo paquistanês sobre as áreas tribais autônomas, onde líderes islâmicos radicais, inclusive simpatizantes da milícia fundamentalista islâmica Taleban, acumulam cada vez mais influência. A violência começou na segunda-feira e persistiu nesta terça-feira. Os choques tiveram início quando centenas de simpatizantes do mufti Munir Shakir reuniram-se na aldeia de Badshahkili para destruir a residência de um seguidor de Pir Saifur Rahman, líder da seita Barelvi, informaram autoridades locais e moradores do povoado. Simpatizantes de Rahman resistiram à investida e homens armados dos dois lados abriram fogo. Foram usados morteiros, granadas convencionais, granadas propelidas por foguete e fuzis de assalto. "A violência durou a noite toda. Há muita tensão e medo por aqui", disse Sultan Khan Afridi, um morador de Badshahkili. Sikander Qayyum, um alto funcionário do governo paquistanês designado para cobrir as áreas tribais autônomas do país, disse que 24 pessoas morreram e 14 ficaram feridas nos episódios de violência, inclusive duas crianças e uma mulher. As desavenças entre os dois líderes religiosos começaram quando eles passaram a usar suas pequenas emissoras de rádio para críticas religiosas mútuas, acirrando os ânimos entre seus seguidores.

Agencia Estado,

28 Março 2006 | 16h22

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