Violência sectária mata 40 em dois dias na Nigéria

Atiradores ligados a milícia islâmica matam 4 no norte do país e número de mortes em atentado de domingo sobe para 36

ABUJA, O Estado de S.Paulo

10 de abril de 2012 | 03h01

Dois novos atentados e o aumento no número de mortos no ataque contra uma igreja na cidade de Kaduna, no domingo de Páscoa, elevaram para 40 as vítimas em dois dias de violência sectária na Nigéria.

Ao menos quatro pessoas morreram ontem no norte da Nigéria em dois ataques de radicais islâmicos ligados à milícia Boko Haram. Atiradores cometeram um ataque em Potiskum e abriram fogo contra uma delegacia, uma igreja e um banco em Dikwa.

No primeiro ataque, um militante atirou contra um policial e sua família em Potiskum. A filha do oficial, de 6 anos, foi morta no ataque. As outras três vítimas - um político local, um civil e um policial - morreram no atentado de Dikwa. Três militantes foram mortos pela polícia no tiroteio que se seguiu ao ataque.

As autoridades nigerianas responsabilizaram o grupo radical islâmico Boko Haram pelos ataques. A milícia também foi acusada pelo atentado contra uma igreja em Kuduna, no domingo. O número de mortes na explosão aumentou ontem para 36. "Das vítimas, 20 morreram na explosão e 16 em hospitais", disse o porta-voz da equipe de socorro da cidade, Abubakar Zakari Adamu.

Segundo a agência Associated Press, a onda de violência sectária na Nigéria matou ao menos 390 pessoas. O país, o mais populoso da África, com 160 milhões de habitantes, tem maioria cristã no sul e muçulmana no norte.

'Taleban'. Os alvos da milícia Boko Haram, que tem ligação com a Al-Qaeda, são pequenas comunidades cristãs na região setentrional do país. Em feriados religiosos, como Natal e Páscoa, os atentados são mais comuns. No último dia de Natal, um atentado contra uma igreja durante uma missa deixou 44 mortos.

O Boko Haram, que usa métodos que já lhe renderam o apelido de "Taleban nigeriano", luta para que a sharia (lei islâmica) seja adotada em toda a Nigéria. Os radicais concentram-se no norte muçulmano. Só em 2011, 504 pessoas foram assassinadas pelo grupo. / AFP e AP

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