Violência sectária mata 6 no Líbano

Morte de chefe de inteligência agrava tensão e obriga Exército libanês a dispersar confrontos; oposição pede renúncia de premiê

BEIRUTE, O Estado de S.Paulo

23 de outubro de 2012 | 03h03

Ao menos seis pessoas morreram ontem no Líbano em choques influenciados pela morte do chefe de inteligência Wissam al-Hassan, crítico do Hezbollah e da Síria. O Exército reprimiu os distúrbios entre libaneses sunitas, partidários dos rebeldes sírios, e xiitas, favoráveis ao regime de Bashar Assad. O oposicionista Saad Hariri defendeu a saída do primeiro-ministro Najib Mikati e a ONU pediu que o governo mantenha a estabilidade.

Dos mortos, cinco foram vítimas de confrontos sectários entre sunitas e xiitas. Uma sexta pessoa morreu em troca de tiros com o Exército. Houve confrontos na capital Beirute e em Trípoli, no norte do país.

Trocas de tiro foram ouvidas ao longo do dia em Beirute, enquanto soldados desmontavam barricadas feitas com pedras e pneus queimados. Jovens sunitas e xiitas eram os principais responsáveis pela violência, de acordo com a agência estatal NNA. Em Trípoli, os confrontos ocorreram entre moradores de dois bairros vizinhos: o sunita Bab Tabbaneh e o alauita Jabal Mohsen. Soldados revistaram carros e pessoas e montaram pontos de controle pela cidade.

Por meio de comunicado, o Exército afirmou que a oposição tem como objetivo manter a estabilidade do Líbano. "O país atravessa um período crucial e crítico e a tensão subiu a um nível sem precedente", diz o texto. "A segurança é um ponto fundamental. Líderes políticos não devem incitar a violência. O futuro do país está em jogo."

De acordo com o general da reserva Hisham Jabber, os militares estão preocupados com o fator desestabilizador da morte de Hassan. "O Exército estava claramente dando um basta aos políticos", declarou. "Eles não podem ter ganhos políticos às custas da segurança do país."

O governo de Assad apoia o atual premiê libanês, que é sunita, mas tem vários ministros do movimento radical xiita Hezbollah em seu gabinete. A Síria fomentou durante muito tempo a guerra civil no Líbano e só retirou suas tropas do país em 2005.

Demograficamente, Líbano e Síria são parecidos. Os muçulmanos são divididos entre sunitas e xiitas, mas há também uma significativa população cristã. Muitos líderes libaneses acusam a Síria de ter planejado o atentado que matou o chefe de inteligência libanesa. Em 2005, a morte do então primeiro-ministro Rafic Hariri também foi atribuída a Assad.

Pressão. O líder da oposição libanesa, Saad Hariri, filho do premiê morto há sete anos, declarou, na noite de domingo, que trabalharia "democraticamente" para destituir Mikati. "Não estamos obrigados a seguir os conselhos de quem acha que interessa ao Líbano manter o governo atual", disse Hariri, que governou o país entre 2009 e 2011. "É do interesse do Líbano a queda do governo."

Ao jornal As Safir, o primeiro-ministro disse que, desde que assumiu o cargo, há dois anos, tem como um de seus principais objetivos proteger os sunitas. "Estou convencido de que com essa operação estou protegendo meu país, meu povo e, especialmente, os membros da minha seita", disse. Tradicionalmente, o primeiro-ministro do Líbano é sunita, o presidente é cristão e o líder do Parlamento é xiita.

Os embaixadores de Grã-Bretanha, Rússia, China e França, além do coordenador especial da ONU para o Líbano, Derek Plumby, prometeram apoio ao presidente Michel Suleiman. "Os membros permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas pediram a todas as facções políticas libanesas a manutenção da estabilidade", disse o representante da ONU. / AP, NYT E AFP

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