Violência sexual vira arma na guerra do Sudão, diz Anistia

Guerrilheiros árabes envolvidos em conflitos no Sudão violentam mulheres e meninas como parte de uma campanha para humilhar e desalojar os negros africanos da região de Darfur, denuncia a Anistia Internacional. Os milicianos Janjaweed torturam as mulheres e quebram-lhes braços ou pernas para evitar que fujam de estupros, seqüestros e escravidão sexual, divulgou o grupo de defesa dos direitos humanos em um documento intitulado "Sudão, o estupro como arma no combate em Darfur".Dezenas de milhares de pessoas foram assassinadas e mais de um milhão dos 6,7 milhões de habitantes de Darfur fugiram de suas casas para escapar dos ataques dos milicianos Janjaweed, palavra que significa "homens a cavalo" no dialeto local. Setores da oposição acusam o governo sudanês de respaldar a ação desses combatentes."Os Janjaweed sentem-se felizes quando estupram. Eles cantam enquanto nos violentam e dizem que somos suas escravas e podem fazer com a gente o que bem entenderem", diz uma vítima de 37 anos, identificada somente como A. no relatório da Anistia Internacional.No sábado, o Sudão ordenou que comissões integradas por juízas, agentes de polícia e juristas investiguem as denúncias de estupro e ajudem as vítimas a apresentar as acusações. Em Cartum, um tribunal especial criado pelo governo sudanês sentenciou dez milicianos árabes a seis anos de detenção por atacar e saquear aldeias na região de Darfur. Os condenados também terão um pé e uma mão amputados.

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